sexta-feira, 2 de março de 2012

A Verdade Conveniente

Fácil compactuarmos e glorificarmos uma "verdade" que nos convém, que habilmente fora forjada para que fosse o nosso número.
Por entre retalhos de ideais românticos e o resgate da história da própria terra, esquece-se que a história e os espíritos desta Terra não ficaram inertes, congelados num determinado período de tempo apenas, incubados numa realidade paralela intactos e protegidos da mãos de Saturno. Por entre marketing barato e eco-discursos esquece-se que nunca nos separamos da Natureza e se voltamos à Ela não é para culto mas, por reconhecimento do Todo. Por entre retalhos de uma gnose esquizofrênica e superficial esquece-se de que, assim como as demais ciências, as ocultas também se aperfeiçoaram e se modificaram com o desenvolvimento da própria humanidade.
Preservar o passado não significa fechar os olhos às mudanças, utilizar-se de instrumentos rudimentares - tanto físicos quanto ideológicos - desprezar toda tecnologia, escarnecer das descobertas científicas e fazer pouco de tantos outros "males contemporâneos", tradicionalidade é saber reconhecer preservar a essência sabendo que a casca sempre estará em mudança mas o interior sempre continuará o mesmo, apenas as percepções mudam ao longo do tempo.
Em toda a minha peregrinação até hoje pelas sendas ocultistas, pagãs e feiticeiras eu já perdi as contas de quantas vezes construí minha fé e depositei minhas crenças em castelos de cartas que desmoronaram com a mais leve brisa. Sou uma pessoa crítica e agradeço aos deuses em sê-lo. Como qualquer "Buscador da Verdade" eu veja na História um demônio  que sempre confrontará nossa zona de conforto e nossos mitos pessoais destruindo nossas concepções frágeis de realidade e, por lado, um anjo doce que nos traz paz de consciência por não andar sob caminhos construídos por tijolos de dissimulação e auto-engano.
A Verdade muitas vezes é amarga, mas os remédios amargos que curam. Quem quiser continuar com a doce mentira que se lambuzem na alienação...

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