quinta-feira, 29 de março de 2012

O Significado da Bruxaria

Die Hexe, Albrecht Dürer
Nossa "moral" ocidental carregando consigo os ideais judaico-cristãos da regra de ouro nos impele sempre a "tratar os outros como gostaríamos de ser tratados". Poderia haver maior absurdo nisso? Ninguém é igual a mim, como posso tratar meu semelhante da maneira como gostaria de ser tratado e esperar que esse seja a coisa certa a se fazer? Temos que mudar nosso pensamento para o que Devora Zack chamou de regra de platina que é "tratar o outro como ELE gostaria de ser tratado". Esta é a relatividade que conseguirá que entendamos nosso semelhante e o produto cultural e religioso que ele produzir. No ínicio de minha peregrinação sempre que encontrava uma religião ou um caminho mágico que me identificava eu logo colocava em sua fronte uma placa de Verdade e ignorava todo o resto. Aprendi que não existe uma única verdade como na fábula indiana dos Cegos e dos Elefantes, apenas interpretações e pontos de vistas que nos levará á vivermos melhor conosco e como o outro. Gandhi respondeu certa vez que lhe perguntaram qual era a melhor religião e ele sabiamente disse que era aquela que lhe tornaria uma pessoa melhor. A natureza não segue leis morais nos moldes que nos acostumamos a rotular de “bem” ou “mal”, a lei máxima da natureza é a funcionalidade. Um caminho mágico/espiritual/religioso precisa funcionar para seu adepto, precisa responder-lhes perguntas e questionamentos íntimos que lhe dê um sentido para os objetos de sua indagação existencial. A bruxaria não é um caminho convencional e tampouco uniforme. Existem tantas variações de práticas e filosofias quanto há criaturas para professá-las. Mas há sinais dela toda parte para aqueles que querem ver: na literatura, nos mitos, na história, nas heresias religiosas e, principalmente, dentro de nossa alma, do sangue e da carne da terra e dos espíritos que os guardam. Mas antes de tentarmos trilhar seus caminhos – indepentemente de o ser como buscador ou um simples curioso – devemos, antes de mais nada, nos desnudar e andarmos descalços por entre suas vielas e estradas. Devemos nos livrar de todo e qualquer preconceito ou pós-conceito (errôneo), devemos, como os índios norte-americanos aconselham, vestir o mocassim da bruxaria, as peles selvagens da bruxaria para ai sim começar não a entendê-la racionalmente, mas senti-la, sentir sua extensão, sua razão de existir, suas conexões, sua história e seu papel nas sociedades pretéritas, atuais e futuras. Antes de o bruxo ser o Mago, ele há de ser o Louco.

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