terça-feira, 6 de novembro de 2012

Animae Remissionis Rituali

Ritual da Libertação de Almas

Este ritual tem como finalidade fazer com que o bruxo lide melhor com o dom específico da hipersensibilidade auxiliando na limpeza das energias sugadas ao longo do dia de ambientes, pessoas e espíritos, além de se libertar de obsessores desencarnados.

Por ele [o ritual] utilizar-se de uma energia mais refinada ao  trabalhar com uma entidade celestial, ele pode ser executado diariamente, preferencialmente antes de dormir, para que o bruxo adentre purificado no Reino de Morfeus.


Ferramentas necessárias:
Uma imagem de Nossa Senhora das Dores devidamente consagrada.
Um copo de água corrente

Adicionalmente o bruxo poderá utilizar-se de pedras, incensos e velas com as Virtudes adequadas ao trabalho de purificação de acordo com a intensidade da limpeza a ser realizada, no entanto, para os rituais diários apenas a imagem e a água serão suficientes.


Ritual:
Centre-se e prepare-se de acordo, fique diante da imagem e posicione as mãos sobre o copo com a água. Feche os olhos e faça as invocações e interpelações necessárias:


"Mãe do Mundo, Senhora da Compaixão
Olhe por teus filhos neste momento
Liberte-me de tudo aquilo que me aprisiona
Livrai-me de todos aqueles que me flagelam"

Neste momento você deverá sentir a presença Dela como um a energia luminosa, então veja com o Espírito Ela te cobrindo com um manto azul e diga:

"Estenda Teu manto azul sobre todos aqueles que precisarem neste momento"

Nesta parte é o momento da esconjuração dos mortos:

"Mãe do Mundo, Senhora da Compaixão
Livai-me destes espíritos que me obsediam
Que as correntes que os prendem a mim sejam quebradas
Que os elos que os predem a mim sejam rompidos
Liberte todas estas alma do sofrimento oh Minha Senhora"

Repita a chave composta pelo terceiro e quarto verso até perceber que o trabalho esteja feito. Termine agradecendo.

"Bendita sejas Tú que liberta os homens do sofrimento oh Amada Senhora
(faça o sinal da cruz diante do centro cardíaco)
Pelos poderes dos quatro Guardiões
Amém"

O ritual está terminado, deixe a água até a próxima noite quando então deverá ser jogada em água corrente. Se utilizados, incensos deverão ser deixados queimar até o final como manda a Tradição, velas poderão se apagadas mas não utilizadas para outro fim e pedras poderão repousar junto da imagem e da agua sendo limpas periodicamente ou ao serem utilizadas em outros rituais.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A Profetiza do Dragão

Crônicas das Terras Mortas 

E naquele tempo eis que chega à vila, vindo dos desertos do oriente, na sombra do Verão, uma mulher estranha, com vestes escarlates de algodão vulgar, braços e pescoço e tornozelos nus o que indicava que não devia passar de uma pária. Seus cabelos eram da cor de sangue, e seus olhos de um negro profundo e inescrutável. Seus lábios carnudos tinham cor de cereja e brilhava como tal. Era intrigante aquela figura indigente com ares de nobreza. E ela chegou na praça central, com olhares curiosos a acompanhar cada passo seu. Algo nela atraia a todos. E chegando ao templo do Deus Morto ela disse: 

“Podem sentir os ventos soprando cada vez mais quente? O Dragão está despertando e este é a sua respiração. Ele dorme debaixo da Montanha, mas não dormirá por mais tempo. Sua irá abaterá sobre vosso povo, pois eis que cometerão abominações diante Daqueles Que Foram. Não irei falar da cobiça de riqueza acima das necessidades de vossos irmãos. Tampouco irei discorrer sobre a fome de sentimentos verdadeiros de vossas árias almas ou da sede de conhecimento de vossas estéreis mentes. Quero abrir-lhes os olhos para as ânsias de vossos Espíritos. Para a fagulha de divindade que habita vosso ser. Para o Destino que deve ser cumprido. Mas vós tens sido indolentes e menosprezam os dons do Espírito...”

Antes que pudesse continuar, um homem da nobreza trajando uma toga azul da mais pura seda e jóias e adornos e glifos apresentou-se diante da mulher a censurou: 

“Cale-se mulher, pois não estás em seu juízo perfeito, tudo o que dizes beira a loucura, e deve ser mais uma fanática adoradora dos Deuses Mortos ou até mesmo do Deus Assassinado - não há diferença, Todos abandonaram esta terra de alguma forma. Em nosso meio não há mais espaço para superstições ou fanatismo desde quando. É sabido por todos, principalmente pelos Especialistas das Rochas, que não há Dragão dormente nenhum sob a montanha, e que o fogo que ela expele é somente mais um evento natural e...” 

Antes que pudesse prosseguir foi a vez da mulher retomar seu discurso:

“Pobre daqueles que possuem olhos, enxergam, mas não vêem. Pobre daqueles que possuem ouvidos e escutam, mas não ouvem. Pobre daqueles que tem língua e falam, mas nada dizem. Pois é disso que estou tentando alerta-lhes. Vossos espíritos estão imersos em trevas. Quem de vocês pode ouvir o canto dos anjos sobre nossas cabeças com seus hinos de louvor à vida? Ou os lamúrios dos demônios que se esgueiram as pedras dos templos profanados? Ou o choro daqueles que não nasceram. Quem escuta a voz do vento? Quem vê aqueles que se movem por entre às arvores e por entre as correntezas dos rios? Os reinos além do Mar e do Céu e da Terra. Irmãos como podem viver em tamanha ignorância. Pois vos digo, eu vejo o dragão acordando sobre a montanha. E vejo sua ira vertendo-se em fogo sobre os ímpios.”

Neste momento o homem nobre insistiu em seus insultos:

“És louca. Insisto para que não ouçam o que esta desvairada estás a dizer-vos”

E a mulher rebate com faíscas em seu olhar: 

“Contam os Sábios, que há muitas e muitas eras atrás, antes da Era do Deus Assassinado, antes da Era do Salvador, e muito mais atrás havia uma mulher a quem chamavam de louca, pois eis que ela profetizou a derrocada de seu reino, mas, ninguém lhe deu ouvidos. A loucura e a sabedoria partilham do mesmo leito. E as pessoas só sabem diferenciá-las quando já é tarde demais. Que vossos espíritos possam acordar junto ao despertar do Dragão.”

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Diabo: O Eterno Incompreendido

They Say Devil Doesn't Rest Until the Truth Is Told.
The Cross, Scorpions

Loki, detalhe de um manuscrito
 islandês do século XVIII

Seja como um arquétipo, como Entidade ou como uma Força, Ele existe e tanto a sua negação quanto a visão distorcida de sua natureza apenas indica a ignorância que se tem quanto o assunto.
O Diabo não é o Mal absoluto mas o Mal necessário.
Ele é o Adversário, o Tentador, é o inimigo que nos traz o crescimento espiritual através das adversidades. Ele nos apresenta as mais duras lições.
A vida é aprendizado, é desenvolvimento e nada no universo é estático ou definitivo. Nossa natureza fundamental é a mudança, o aperfeiçoamento, a superação de nós mesmos. Mas quando a indolência bate a nossa porta, quando não caminhamos pela estrada da sabedoria a fim de aprender o que devemos aprender então não há outra alternativa para que curar nossa cegueira. O sofrimento é um mestre amargo, mas eficaz.
A Ele o Trono da Terra pertence, Guardião da Terra e de suas riquezas, Ele move seus lacaios a agir em nossas vidas nos empurrando a nosso limite e a nenhum anjo é permitido nos ajudar enquanto o Diabo não disser que Seu trabalho está feito e que estamos pronto para ajuda.
Ele é aquela força que expõe toda a nossa sujeira, nossa corrupção, nossos vícios. Ele utiliza-se das pessoas, assim como o faz os deuses, como instrumentos para sua obra. 
Ele é o Tentador de Cristo. Loki, o Trapaceiro. Ereshkigal, a Grande Iniciadora. Seth, o Deus Vermelho. Ele é Maya e Arimã. 
A função do Diabo não é corromper nossas almas, mas salva-la através de ordálias penosas.
Pois no final da caminhada, o que não nos mata, fortalece-nos.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Flagelo do Medo


"O medo é o caminho para o Lado Negro. 
O medo leva a raiva, a raiva leva ao ódio, o ódio leva ao sofrimento." 
Mestre Yoda, Stars Wars


O medo é o filho da dúvida e o pai do sofrimento. Quanto mais reflito sobre a Vida mais percebo como a maioria dos nossos erros são cometido em um estado influenciado pelo medo.
O medo da perda talvez seja o principal, embora saibamos que a Vida segue seu fluxo em ciclos de nascimento, crescimento e morte, não preparamos nossa consciência para a última fase do ciclo. Tudo o que achamos possuir não é nosso de verdade. As pessoas principalmente não nos pertecem, nem nossos pais, nem nossos filhos, nem nossos amantes. Todos eles são pássaros frágeis, cujo canto por mais belo que seja, um dia se silenciará pela morte ou pela distância.
O medo da perda geralmente provém do medo da solidão. É fato que o homem, enquanto ser social, necessita da vida em comunidade. Mas o homem, enquanto ser espiritual, consegue abrir sua consciencia a ponto de perceber que não estamos a sós, nunca. O céu azul - lar dos anjos - sobre nossas cabeças, a terra abençoada - os ossos e o sangue de nossos antepassados - sob nossos pés, todos eles nos conectam uns aos outros, estamos ligados ao Todo. O medo da solidão é a falta deste sentimento de ligação.
Não há outro remédio para o medo que não seja a fé. Fé Não é "acreditar" como comumente se pensa, pois o crer traz consigo uma descrença inerente. Fé é saber intimamente, é a sabedoria que vem do nosso Espírito, Genius, Daimon. É a certeza que emerge do âmago de nosso ser e que irradia Luz para nossa consciencia física flagelada pelas dúvidas, pelas correntes de pensamentos inferiores de medo. 
O remédio para o medo é aceitar que não podemos controlar tudo aquilo que livre deve ser, que a Vida possui seus ciclos, que tudo o que chega, um dia, deve partir.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A Dança da Fortuna e do Destino

"Vá e acorde sua sorte."
Provérbio persa

lâmina do tarot 
Roda da Fortuna 
(Deck Rider-Waite) 
Algumas pessoas tem sorte na vida e outras não. Não merece o rótulo de tolo ou fraco aquele que acredita no sorriso da Fortuna mas, merece os mesmos rótulos aquele que endossam que o Seu sorriso seja aleatório.
Ao nosso redor somos rodeados por diversas ligações energéticas - o que alguns bruxos chamam de A Teia - e estas ligações são estabelecida, regidas, alteradas, fortalecidas ou enfraquecidas de acordo com nosso Destino. E aqui cabe outra chamada à lucidez, que não seja chamado de conformado o homem que crê no Destino, mas que seja chamado de sábio aquele que creia que o mesmo seja forjado por nossas próprias mãos e que seja chamado de indolente aquele que creia que Ele seja determinado, ou melhor, sentenciado, por alguma força além de nossos próprios atos, pensamentos e omissões.
Nosso Destino é construído com base nestas linhas que formam a Grande Teia e, na confecção desta, participa espíritos e forças atraídos a nós pela lei da semelhança. Quando estas forças e espíritos atuam a nosso favor, chamamos a isso de sorte; quando elas atuam contra nós, chamamos de azar.
Um dos maiores desafios do peregrino é abrir seus olhos para ver que tudo vibra numa sinfonia perfeita de ação e reação e que a Fortuna concede Seus presentes de acordo com o merecimento. Que o Destino não é sentenciado senão pelas palavras de nossos próprios lábios. Se queres que a Fortuna sorria para ti, então deves cativá-la para tanto. Seja a forja de teu próprio Destino.




sábado, 14 de abril de 2012

Lamento pelos Mortos

"Deve-se consideração aos vivos; aos mortos apenas se deve a verdade."
Voltaire

"Lament",
Edward Coley Burne Jones
Talvez um dia eu tire um tempo para lamentar pelos meus mortos. Talvez acenda uma vela branca alva como uma pomba ou me vista de negro como a noite mais profunda. Talvez faça oferendas. Talvez profira uma prece. Ou talvez blasfeme contra eles. Todas estas coisas serão possíveis. 
Os deuses testemunham a meu favor do quanto sempre tive que lutar por mim mesmo, chorar pela minha própria morte todos os dias quando no oeste o sol se refugiava e o quanto ainda luto para saber onde pertenço, para lembrar-me onde minha alma está.
Nunca tive tempo para chorar pelos mortos. nunca tive muitos motivos para chorar pelos vivos. Motivos suficiente sempre tivera para chorar por mim mesmo. 
Mas estas lágrimas raramente veem, ela estão enterradas na sombra do meu âmago assim como os frios cadáveres jazem no silêncio fúnebre de suas covas. 
Muito deles, os mortos, tivera que enterrá-los em meu coração ainda que estivessem vivos. Muitos deles, os mortos, continuam vivos em minha memória como se a terra sagrada não possuem seus corpos sob seu manto. Muitos deles ainda são valas a céu aberto. Muitos deles já jazem a sete palmos para mim mesmo com os primeiros raios de sol do oriente a esquecer-lhes a face em cada manhã do outono que chega.
Talvez um dia eu tire um tempo para pensar sobre todas estas coisas. Talvez leve flores para alguns túmulos. Talvez chore até o sono secar-me as lágrimas. Mas até lá, até que isso me faça sentido, continuo com minhas lágrimas presas. 
Talvez agora eles estejam aqui me assistindo e lendo palavras tão sinceras. 
Dizem que a morte nos tornam melhores. E nisso eu creio. Mas não é motivo suficiente para esquecer, perdoar, divinizar ou exaltar.
Dizem que a paz dos mortos depende da paz dos vivos. E isso talvez seja motivo suficiente de deixar para trás o que ao passado pertence.
Talvez isso que esteja escorrendo pela minha face seja uma lágrima. Mas a questão é: ela é para eles ou para mim mesmo ou para ambos de nós?


ars musicam (este post fora elaborado ao som de:


The Veil of Queen Mab
Hexperos

Ano de Lançamento: 2010
Estilos: Contemporary Classical; Experimental; Goth-Rock



segunda-feira, 9 de abril de 2012

A Besta Interior: O Princípio Instintivo Renegado

"Who is like the beast and who can fight against the beast?"
 The Beast Within, Madonna


Detalhe de capa do single
"The Beast Within", Madonna

O homem é composto por vários princípios ou corpos ou inteligências que são exaustivamente citados nas mais diversas literaturas ocultistas e religiosas. Sempre há divergências quanto a estes princípios, tanto em números quanto em qualidade mas, o que a maioria possui em comum é renegar ou relegar às sombras - meio que literalmente - o princípio mais básico do homem: seu corpo instintivo.
Nosso corpo instintivo - a Besta Interior - é de uma qualidade diferente da mente e análise racional, do coração e sua análise emocional e do daimon e sua análise do Destino, vocação e verdade do ser. Todos estes princípios são ligados a inteligência racional, a inteligência emocional e a sabedoria respectivamente. 
Mas nesta equação básica faltou o instinto - a inteligência material. Nossa Besta 
Interior é quem nos dá esta inteligência material, ela é a inteligência de nosso corpo e ela quem comanda nossos instintos básicos. Ela comanda nosso sexo e determina a maneira que vamos lidar com esta energia - sim ela é responsável pela nossa sexualidade! Ela é responsável pela vida e pela morte, pela regulação da população de uma espécie e de um grupo. É ela, a Besta Interior que move os atletas. Quando um jogador de futebol está para fazer um passe e fazer um gol, quem o excita? A Besta Interior. Quando andamos pela rua quem é responsável por não trombarmos uns nos outros numa calçada movimentada? Ela. Quando conhecemos alguém, podemos o considerar inteligente, bonito e ético aos nosso padrões, seria a pessoa perfeita mas algo, algo simplesmente não se identifica - popularmente dizem que não "rolou química", mas o que querem dizer é que as bestas interiores se repeliram.
A Besta Interior reencarna conosco e continua conosco até quando não estivermos em nossos casacos de pele. Ela nasce como a alma e morre quando a alma se funde novamente na Anima Mater.
Como um princípio tão importante no homem pode ser tão negligenciado? E ela é. A Besta é engaiolada assim como pensamentos e sentimentos que consideramos - pelo poder da sociedade, cultura e religião - proibidos, vergonhosos, imorais. E a Besta engaiolada manifesta sua rebeldia lutando para ser liberta e daí nasce o preconceito, a intolerância e todo tipo de violência que a negação causa - mecanismos de reação bem estudados pela psicologia junguiana.
Não prenda sua Besta Interior. Ela é livre como um cavalo selvagem. Você nunca conseguirá botar-lhe uma sela. Não seja-lhe um senhor – tampouco seja-lhe um vassalo. Sejam ambos o Todo que verdadeiramente o são.


quinta-feira, 29 de março de 2012

O Significado da Bruxaria

Die Hexe, Albrecht Dürer
Nossa "moral" ocidental carregando consigo os ideais judaico-cristãos da regra de ouro nos impele sempre a "tratar os outros como gostaríamos de ser tratados". Poderia haver maior absurdo nisso? Ninguém é igual a mim, como posso tratar meu semelhante da maneira como gostaria de ser tratado e esperar que esse seja a coisa certa a se fazer? Temos que mudar nosso pensamento para o que Devora Zack chamou de regra de platina que é "tratar o outro como ELE gostaria de ser tratado". Esta é a relatividade que conseguirá que entendamos nosso semelhante e o produto cultural e religioso que ele produzir. No ínicio de minha peregrinação sempre que encontrava uma religião ou um caminho mágico que me identificava eu logo colocava em sua fronte uma placa de Verdade e ignorava todo o resto. Aprendi que não existe uma única verdade como na fábula indiana dos Cegos e dos Elefantes, apenas interpretações e pontos de vistas que nos levará á vivermos melhor conosco e como o outro. Gandhi respondeu certa vez que lhe perguntaram qual era a melhor religião e ele sabiamente disse que era aquela que lhe tornaria uma pessoa melhor. A natureza não segue leis morais nos moldes que nos acostumamos a rotular de “bem” ou “mal”, a lei máxima da natureza é a funcionalidade. Um caminho mágico/espiritual/religioso precisa funcionar para seu adepto, precisa responder-lhes perguntas e questionamentos íntimos que lhe dê um sentido para os objetos de sua indagação existencial. A bruxaria não é um caminho convencional e tampouco uniforme. Existem tantas variações de práticas e filosofias quanto há criaturas para professá-las. Mas há sinais dela toda parte para aqueles que querem ver: na literatura, nos mitos, na história, nas heresias religiosas e, principalmente, dentro de nossa alma, do sangue e da carne da terra e dos espíritos que os guardam. Mas antes de tentarmos trilhar seus caminhos – indepentemente de o ser como buscador ou um simples curioso – devemos, antes de mais nada, nos desnudar e andarmos descalços por entre suas vielas e estradas. Devemos nos livrar de todo e qualquer preconceito ou pós-conceito (errôneo), devemos, como os índios norte-americanos aconselham, vestir o mocassim da bruxaria, as peles selvagens da bruxaria para ai sim começar não a entendê-la racionalmente, mas senti-la, sentir sua extensão, sua razão de existir, suas conexões, sua história e seu papel nas sociedades pretéritas, atuais e futuras. Antes de o bruxo ser o Mago, ele há de ser o Louco.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Do Nascimento da Raça Bruxa


"Eis que naquele tempo, os filhos dos homens se multiplicaram e naqueles dias nasceram-lhe filhas, elegantes e belas. E quando os Sentinelas, os filhos do céus, viram-nas, enamoraram-se delas dizendo: vamos, selecionemos para nós mesmo esposas da progênie dos homens e geremos herdeiros. 
Então Samyaza, seu lider, disse-lhes: eu temo que talvez possais indispor-vos na realização deste empreendimento; e que só eu sofrerei por tão grave crime. Mas eles responderam-lhe e disseram: Nós todos juramos, que nós não mudaremos nossa intenção, mas executaremos nosso empreendimento projetado. Então ele juraram todos juntos e todos se uniram por mútuo juramento. Todo seu número era duzentos, os quais descendiam de Ardis, o qual é o topo do monte Armon. 
Estes são os nomes de seus chefes: Samyaza, que era o seu líder, Urakabarameel, Akibeel, Tamiel, Ramuel, Danel, Azkeel, Saraknyal, Asael, Armers, Batraal, Anane, Zavebe, Samsaveel, Ertael, Turel, Yomyael, Arazyal. Estes presidiam sobre os duzentos anjos, e os restantes estavam todos com eles . Então eles tomaqram esposas, cada um escolhendo por si mesmo as quais eles começaram a abordar e com as quais eles cohabitaram. 
Então ele lhes ensinaram sortilégios,encantamentos e a divisão de raizes e árvores. E elas [as mulheres] geraram aos Sentinelas três raças: o Grandes Gigantes, os Naphelim e os Elioud. E eles sobreviveram, crescendo em poder de acordo com a sua grandeza. 
Azazyel ensinou os homens a fazerem espadas, punhais, escudos, armaduras, a fabricação de espelhos e a manufatura de braceletes e ornamentos, o uso de pinturas, o embelezamento das sobrancelhas, o uso de todo tipo selecionado de pedras valiosas, e toda sorte de corantes, para que o mundo fosse alterado. Amazarak ensinou todos os sortilégios e divisores de raízes. Armers ensinou a solução de sortilégios. Barkayal ensinou os observadores das estrelas. Akibeel ensinou sinais. Tamiel ensinou astronomia. E Asaradel ensinou o movimento da lua." 


 Adaptado e extraído de O Livro de Enoque
 (tradução livre para a língua portuguesa por Elson C. Ferreira)

segunda-feira, 12 de março de 2012

Da Intensidade dos Sentimentos

"Quanto mais fundo a dor e a solidão cava em nossa alma mais alegria e amor ela pode conter. 
A profundidade é uma lâmina de dois gumes, 
benção e maldição dormem na mesma cama."
-Asterion





quinta-feira, 8 de março de 2012

Súplica

Nossa Senhora das Dores por Borboleta Despenteada



Aquela Que Ouve os lamentos do Mundo, aliviai a nossa dor pela lucidez da Gnose Herética.

sexta-feira, 2 de março de 2012

A Verdade Conveniente

Fácil compactuarmos e glorificarmos uma "verdade" que nos convém, que habilmente fora forjada para que fosse o nosso número.
Por entre retalhos de ideais românticos e o resgate da história da própria terra, esquece-se que a história e os espíritos desta Terra não ficaram inertes, congelados num determinado período de tempo apenas, incubados numa realidade paralela intactos e protegidos da mãos de Saturno. Por entre marketing barato e eco-discursos esquece-se que nunca nos separamos da Natureza e se voltamos à Ela não é para culto mas, por reconhecimento do Todo. Por entre retalhos de uma gnose esquizofrênica e superficial esquece-se de que, assim como as demais ciências, as ocultas também se aperfeiçoaram e se modificaram com o desenvolvimento da própria humanidade.
Preservar o passado não significa fechar os olhos às mudanças, utilizar-se de instrumentos rudimentares - tanto físicos quanto ideológicos - desprezar toda tecnologia, escarnecer das descobertas científicas e fazer pouco de tantos outros "males contemporâneos", tradicionalidade é saber reconhecer preservar a essência sabendo que a casca sempre estará em mudança mas o interior sempre continuará o mesmo, apenas as percepções mudam ao longo do tempo.
Em toda a minha peregrinação até hoje pelas sendas ocultistas, pagãs e feiticeiras eu já perdi as contas de quantas vezes construí minha fé e depositei minhas crenças em castelos de cartas que desmoronaram com a mais leve brisa. Sou uma pessoa crítica e agradeço aos deuses em sê-lo. Como qualquer "Buscador da Verdade" eu veja na História um demônio  que sempre confrontará nossa zona de conforto e nossos mitos pessoais destruindo nossas concepções frágeis de realidade e, por lado, um anjo doce que nos traz paz de consciência por não andar sob caminhos construídos por tijolos de dissimulação e auto-engano.
A Verdade muitas vezes é amarga, mas os remédios amargos que curam. Quem quiser continuar com a doce mentira que se lambuzem na alienação...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Exortação ao Filho da Noite

"Mas tú também é uma criatura da noite como nós
 E mesmo assim renega a teus irmãos 
Ouça, eles estão clamando dentro de ti 
Teus antepassados gritam pelas correntezas de teu sangue 
A noite chama pelo teu nome 
A Dama do Sabat te espera com coroas de jasmim 
E o veludo aroma das avelãs perfuma o Seu hálito 
Há Segredos e Mistérios que não devem ser temidos 
E sim vivenciados em toda sua itensidade. 
Teu legado te perseguirá para onde fores 
E nunca escaparás daquilo que és 
Pois pertence à uma raça antiga 
De anjos caídos feito homem 
Venha e reclame teu lugar no banquete dos excomungados 
Dance sem a vergonha de tua nudez 
Ame sem medo das feridas de teu coração 
Sejas apenas mais uma folha caída, 
Que o vento carrega para a imensidão."


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Da Originalidade do Ser

Ser ou Não Ser, Anna Chromy

Por mais que mudamos, algo sempre permanece o mesmo. Há uma parte de nós imutável e incorruptível, uma natureza íntima e primeira. 
A Língua Portuguesa é uma língua fascinante, pois possui dois verbos distintos para duas condições da existência humana: ser e estar. A maior parte daquilo que compõem o que aparentamos ser é transitório, um estado superficial, um estado de estar. Estar significa que naquele momento, sob determinadas condições, nos manifestamos de determinada maneira. A parte mais obscura, renegada e completa de significado daquilo que compõem que aparentamos ser é o que somos de fato. Ser significa que em qualquer momento, sob qualquer condição, nos manifestaremos de uma maneira específica ou por qualquer variação que dela ocorra. 
O sentido da vida só se torna um mistério desvendável para nos enquanto humanos, quando analisamos o que realmente somos e agimos de acordo pois a partir deste momento experienciaremos sensações relevantes para a alma. Conheça-te a ti mesmo é conhecermos a nossa própria alma e imprimir sua essência em tudo aquilo que fazemos. É estar de acordo com as tramas do Destino para um futuro mais rico e completo em experiências como menos sofrimento. É construir nossos valores e vivermos de acordo com um código moral idiossincrático. É a verdadeira "volta para casa" pois é a volta para si mesmo.
Quando agimos de acordo com o estado original de ser de nossa alma tudo o que façamos flui naturalmente em direção ao desenvolvimento desta, há uma aura de convicção em torno de nós, um tom convincente em nossas vozes, já não há crenças e palpites e sim certezas, já não há verdades a serem defendidas com unhas e dentes e sim experiências e conhecimento.

... Depois de tudo isso fica o desafio para você confrontar a si mesmo: você aparenta ser o que é ou o é de fato? Ser ou parecer ser bruxo - eis a grande questão.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Manifesto Teológico Niilista de Um Bruxo Agnóstico


Não creio em deuses com nomes e formas. Não creio em criações humanas. Cascas astrais. Deuses mortos de civilizações mortas. Não creio nestes deuses imaginados, forjados para sustentar poderes políticos, militares, religiosos. Não creio nestes deuses que punem a seu bel-prazer, que carregam consigo todas as vaidades, os defeitos e os vícios humanos. Não creio em deuses-reflexos da podridão social. Não creio em deuses feitos a imagem e semelhança humana.
Mas não sou ateu. Creio, acima de tudo, em deuses que são a Lei, a Ordem e o Equilíbrio dos Mundos. Manifestam-se em todas as coisas e por todas as coisas são manifestados. São as essências de todas as coisas, mas as transcendem. Embora se manifestam em todas as coisas a Todo é maior que a soma das Partes.
Creio nestes Espíritos Antigos sem nomes, sem faces. Feitos a imagem e semelhança de si mesmos.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Bruxaria: O Poder Desregrado


A Bruxaria lida, em primeira e última instancia, com o poder de transformação em qualquer esfera de manifestação que se pretenda. Os jogos do poder são jogos perigosos e fascinantes, o desejo pelo poder é uma ânsia da alma humana - qualquer alma - da mais ambiciosa à mais humilde.
Nas sociedades humanas foram estabelecidos ao longo de sua história vários tipos de poder a fim de controlar as pessoas, manter o status quo das classes dominantes e a coesão social. No campo referente à magia, é o poder religioso tenta regrá-la, censurá-la, desacreditá-la ou monopolizá-la nas mãos de hierarquias sacerdotais a fim de que a coerção social continue a ser perpetrada geralmente em benefício de outros poderes como o político.
Por este motivo as bruxas sempre foram temidas, combatidas, marginalizadas e desmoralizadas. Sua magia desregrada, sua moral idiossincrática e suas crenças heréticas as tornam uma ameaça ao controle social, político e religioso que as forças dominantes impõem aos cidadãos. O poder e a vida de uma bruxa nunca devem estar sob o julgo de parâmetros de terceiros, ou uma bruxa é livre ou não tem o direito de carregar tal título.



domingo, 8 de janeiro de 2012