quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Cegueira da Luz

Diário de Um Bruxo Solitário


"Alguns elevam-se pelo pecado, outros caem pela virtude."
William Shakespeare


Ontem fui a um centro kardecista, não sei o que esperava ou melhor, sabia exatamente o que esperava: o término de minha catarse, de minha purificação. O kardecismo fora a ultima doutrina a me impressionar antes de eu me tornar pagão. E de sua fonte eu bebi por muito tempo e extrai muito conhecimento não preciso negar. Mas minha forma de ver o mundo mudou. E com ela minhas crenças. 
Sou um bruxo, um bruxo pagão.  Não, não aquele esteriótipo de bruxo pagão de uma era pós-murrayana. Meus castelos bruxescos já desmoronaram todos. Não sigo mais nenhuma litania ou teoria além daquela que meu genius dita. Algo dentro de mim sabe exatamente o que eu sou e o que eu devo fazer então resolvi dar tempo a esta voz para que mostre o caminho. Sem pressas, sem cobranças, sem ilusões. 
Mas não era sobre meu caminho que eu pretendia falar hoje, gostaria de registrar as minhas impressões sobre estas doutrinas que pregam a luz e a "bondade" a todo tempo. É insuportável conviver com este ideal utópico. O homem, assim como a natureza é um ser dúbio: o angelos e o daimon, faces de uma mesma alma. Ninguém consegue ser bom e luz todo o tempo, e quando não conseguimos o que acontece? Exatamente, a culpa estende suas garras e dá origem a todos tipo de flagelo e violência. Temos um lado negro, a vida possui um lado negro, a natureza possui forças destrutivas. Qual a necessidade de fecharmos os olhos a isso? Neste sentido eu admiro a doutrina wiccana com seus temas de equilíbrios entre luz e sombra. O "mal" não está nas sombras, o "mal" está no desequilíbrio, em qualquer tipo de desequilíbrio. Até mesmo na bondade exagerada que leva a uma auto-indulgência ou auto-abandono.
Todo o momento coisas morrem: animais morrem, sentimentos morrem, células morrem. Como fechar os olhos a todas as forças destrutivas que nos cercam? Hipocrisia, vaidade e húbris sem tamanho quem dizer que consegue procurar a Luz o tempo tempo.
Ontem a noite após chegar em casa da reunião eu tive uma visão: a Luz só existe porque as sombrar a constrasta. Não quero calar minha besta interior, meus instintos, meus desejos e todas as forças poderosas que da própria Vida são instrumentos. Continuarei dando a mim mesmo o privilégio de ser um pecador sem culpas.


3 comentários:

  1. Adorei este texto!
    Me identifiquei muito com ele... comigo aconteceu algo muito parecido!
    Parabéns!

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  2. Obrigado, seja sempre bem-vinda!

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  3. Obrigada. Estava precisando ler essas palavras.

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