quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Valentina e a Roseira: Uma Fábula Sobre o Medo, a Maldade e a Fé

Sentada junto à roseira, Valentina olha sua avó que com a mesma destreza de sempre cuida de seu jardim.  Após algum tempo ela ouve sua queria avó liberar um pequeno balbucio de dor por causa de um espinho e então Valentina a interpela:

- Vovó, vovó, machucou a dedo na roseira? Esta roseira é má!

Diante de tal declaração, Eva não pode segurar suas gargalhadas e com ternura passa sua mão na cabeça de sua neta dizendo:

- Não querida a roseira não é má. Nada é inteiramente mal e tampouco inteiramente bom. A roseira apenas é uma roseira e eu apenas furei meu dedo por falta de atenção, estava pressionando-a muito.

- A roseira apenas se defendeu porque achou que a senhora iria machucá-la? – interroga a pequena Valentina já ávida para compartilhar da sabedoria da matriarca.

- Sim minha pequena, exatamente, ela apenas se defendeu... – mas antes que pudesse concluir seu pensamento a pequena Valentina, afobada como sempre já a interrompe:

- Então não existem pessoas más vovó? Aquele homem que machucou meus pais não é mal?

Uma lágrima rola pelo rosto de Eva e ela prossegue:

- Acho que sim querida, a aparente “maldade” das pessoas não passam de defesas. As pessoas são movidas a causar dor principalmente pelo medo: medo da solidão, medo da dor, medo do sofrimento, medo da sede e da fome do corpo e do espírito e até mesmo medo de amar! – respondeu pacientemente Eva à Valentina.

- Vovó, eu tenho medo do escuro e tenho medo de que a senhora vá morar com papai e mamãe também, eu vou ser uma menina má então vovó? – Interpela Valentina mais uma vez.

Com seus risos de ternura, Eva abraça sua pequena dádiva e sussurra em seus ouvidos:

- Minha queria, não és uma menina má e nunca será e teu medo pode te levar a fazer coisas que magoe ou fira alguém num futuro, mas não serás má por isso do mesmo modo que o espinho da rosa não a torna menos exuberante e perfumada.

Já confortada por Eva, a pequena Valentina ainda pergunta:

- Mas vovó, como eu faço para não sentir mais medo?

E prontamente Eva responde:

- A fé minha queria, a fé espanta todo medo que tiveres. Tenha fé que as mesmas Forças que sempre cuidaram de nossos antepassados e dessa terra cuidará de nós, não importa o nome que damos a elas.  E não se esqueça de que nunca estarás sozinha, haverá sempre uma estrela dentro de ti que iluminará teus caminhos. Quando tiveres medo de algo, imagine teu medo como um demônio horrível e então deixe a luz de sua estrela brilhar e espantar a escuridão.

2 comentários:

  1. Que sensibilidade tremenda colocar esse conto por aqui. A fé realmente continua sendo uma esperança para dias melhores, para uma melhor ferramenta para lidar com isso que chamamos Medo.

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  2. preciso fortalecer minha fe peço a deus que olhe por mim

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