sábado, 16 de julho de 2011

Diário de Um Bruxo Solitário: Pequeno Santuário Natural e Particular

Aos poucos percebo de onde vem, nasce e flui a magia e a energia. Não há sentido em trabalhar ritos para a Lua, o Sol, chamar pelos espíritos e deuses se não percebemos as linhas energéticas que nos cercam, se não houver contato com a terra e com os pequenos genii loci que a habitam.
Felizmente moro numa pequena cidade interiorana, e, embora seja uma cidade, ela é rodeada por arvoredos, planícies e lagos onde a presença dos gênios da natureza fluem tão nítidos quanto os cantos vigorosos dos pardais sob o Sol da aurora ou o solitário murmúrio da coruja sob a palidez da Lua - há até mesmo uma lenda urbana que diz que a cidade já fora um cemitério de índios num passado remoto reforçando a aura mágica da pequena cidade. 
Minha casa possui um quintal generoso onde cresce a mais exuberante e diversificada flora, da qual se destaca um limoeiro que eu me lembro de quando ainda era um broto e hoje é uma árvore frondosa. Havia também, por cima do limoeiro, um pé de maracujá e a noite,  suas flores exalavam seu perfume inebriante de mistério.  Meu quintal é sagrado pra mim e nele eu trabalho meus ritos de devoção e meus feitiços. Nele e em seus habitantes - grama, flores, árvores, ervas, aranhas, abelhas, borboletas, formigas e morcegos - eu vejo e sinto a dança das estações e ouço canções indomáveis. Não o vejo como limitado ou isolado, vejo-o como uma extensão das planícies e bosques que fazem vizinhança comigo e, durante a noite, quando o véu da Senhora acaba com a ilusão da individualidade, não há como dizer o contrário de meu pequeno santuário, natural e particular.

- arte da postagem: The Sacrad Lemon Tree, Catherine Walker >>

Um comentário:

  1. Antes de olhar pra fora, devemos olhar pra dentro. E antes de olhar pro mundo além, devemos observar o mundo que nos cerca. Parabéns pelo pensamento, muito coerente!

    Abraços

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