terça-feira, 31 de maio de 2011

Oração ao Deus Desconhecido


"Antes de prosseguir em meu caminho e lançar o meu olhar para frente uma vez mais, elevo, só, minhas mãos a Ti na direção de quem eu fujo.

A Ti, das profundezas de meu coração, tenho dedicado altares festivos para que, em cada momento, Tua voz me pudesse chamar.

Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras: "Ao Deus desconhecido”.

Seu, sou eu, embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos.

Seu, sou eu, não obstante os laços que me puxam para o abismo.

Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-Lo.

Eu quero Te conhecer, Desconhecido.

Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.

Tu, o incompreensível, mas meu semelhante, quero Te conhecer, quero servir só a Ti."

Friedrich Nietzsche
Tradução de Leonardo Boff

Podemos notar aqui uma profunda e clara distinção entre religiosidade e espiritualidade. Vejo Nietzsche, ateu ferrenho e denunciante das "ilusões metafísicas e religiosas", como um grande espiritualista; pois buscou e vivenciou os mistérios profundos do seu ser e da Vida de uma maneira realista e investigativa sem se render a fórmulas religiosas prontas e plásticas, mas o fez partir de sua própria alma. Entretanto para muitos, este homem não passa de um pobre ateu ou um contraditório filosófo.

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Um comentário:

  1. Sabe que gosto muito de Nietzsche... Conheci-o ao ler o romance "Quando Nietzsche chorou". Desde então sempre que posso leio alguma coisa sobre ele.

    Concordo contigo Nion, Nietzsche foi um grande espiritualista. Nunca pensei nisso com essas palavras, mas concordo com elas.

    Bênçãos!

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