sábado, 9 de abril de 2011

Sangue-Bruxo, Iniciação e o Mito de Caim

Existe um ditado português que diz que "ser feiticeira é para quem quiser, mas ser bruxa é para quem pode" e aqui deve ficar claro a distinção conceitual entre feitiçaria e bruxaria.
O mito do sangue-bruxo está diretamente ligado à um outro adágio de que "uma bruxa nasce bruxa". O sangue-bruxo pode ser passado pela hereditariedade ou conservado através dos processos reecarnatórios. Dentro desta visão, a Iniciação e as experiências que preparam o bruxo para esta não tem por objetivo "transformar a pessoa em um bruxo", mas sim, o fazer recordar-se que ele é um bruxo. A Iniciação e o treinamento têm por objetivo realinhar a alma do bruxo com seu Espírito-Bruxo, com sua Linhagem e com a Egrégora de uma Tradição; é despertar o poder do sangue-bruxo que corre pelo seu corpo e desabrochar as Flores da Magia que repousam em seu Ser que antes eram apenas Sementes repousando no profundo do Self para se proteger do Inverno da Ignorância e da corruptibilidade social.
Dizem que as bruxas são de uma raça antiga cuja história fora contada através de vários mitos de anjos que vieram à Terra e se fascinaram pelas mulheres daqui, as tomaram como amantes e desta união nasceram seres metade humano, metade divino. Uma das lendas mais famosas do sangue-bruxo diz respeito a Caim:

"Segundo conta o livro de Enoque, as artes de transformação dos metais, da cosmética, da agricultura, astronomia e bruxaria, teriam sido ensinados à primeira humanidade por Azazel, o Anjo Caído, que com seus outros guardiões celestes se apaixonaram  pelas mulheres humanas. Um dos filhos desta união foi Caim , filho de Samael e Eva. [...] Desde os gnósticos canaitas até a strega toscana, Caim era, por isso, o primeiro nascido de "sangue-bruxo" em oposição ao grosso da humanidade descendente do barro de Adão através de seu filho Abel."
Gilberto de Lascariz, Ritos e Mistérios Secretos do Wicca. Editora Madras

Afastando-se de conotações judaicas/cristãs, poderíamos dizer que estes "anjos" seriam habitantes de outros mundos, talvez das Estrelas Reais, tão presentes na Stregharia  e em antigos cultos do oriente próximo, ou ainda do País das Fadas tão presente nas lendas célticas, que igualmente teriam iniciado uma raça de seres mestiços. Talvez não devêssemos tomar o mito do sangue-bruxo de uma maneira tão literal, talvez ele reflita apenas sucessões em uma corrente de pessoas que acessaram um conhecimento particular a partir de uniões (não no sentido sexual) com espíritos de outros planos. De qualquer forma, fica óbvia que o tipo de magia sobre o qual se apoia a Bruxaria é a magia espiritual que nasce das alianças e contratos com mundos além deste, estas uniões trazem uma sabedoria o conhecimento peculiares e estes arcanos fazem com que as pessoas que os acessem sejam exilados por vontade própria numa terra livre de ilusões e ignorância.
Apenas ouvem o Chamado aquele que é bruxo, somente continuam no Caminho dos Exilados aqueles que verdadeiramente ouviram o Chamado.  

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