segunda-feira, 11 de abril de 2011

Diário de Um Bruxo Solitário: Folhas ao Vento

Ao caminhar até o trabalho pela manhã já pude sentir as mudanças no cheiro do vento. O outono está caminhando em seu curso e o vento está cada dia mais gélido dando sinais que a Natureza está entrando em seu sagrado repouso anual. Passando por uma calçada, bem a minha frente este mesmo vento beijou uma árvore já seca fazendo com que suas folhas sem vida dançassem, ali em minha frente, com graça e leveza.
São estes sutis momentos em que nos são revelados os Mistérios e fiquei a lembrar que também somos ciclos, somos folhas secas ao vento. Há momentos em nossa vida, que também somos carregados pelo Vento e dançamos na vida sem rumo certo como folhas secas. Nestes momentos tentamos resisitir a estas Mãos silenciosas que gentilmente nos impulsiona para o novo e, queremos a todo custo continuarmos secos e velhos agarrado à àrvore. Não conseguimos enxergar que nosso tempo passou; esquecemos-nos que nada se mantém igual para sempre, que é chegado o tempo de deixarmos ir tudo aquilo que não tem mais sentido na vida, todos os hábitos velhos e infrutíferos, os risos de uma piada que já perdeu a graça, as lágrimas de uma tristeza que já não possui mais razão de ser.
Quero ser então, em mais este outono que se cumpre, como folhas secas, deixando que o Sopro dos Deuses me toque e me leve até onde possa escrever um novo destino, que eu seja como as folhas secas que se depositam no solo, se desintegram e nutrem-no para que a Vida se renove.

arte da postagem: detalhe de Autumn Leaves, Sir John Everett Millais

2 comentários:

  1. Vejo a cada dia que não podemos mais chamar de mito, é uma realidade: O outono nos inspira! Belíssimo texto, parabéns. Quando se enxerga a vida tal como ela se manifesta, só a poesia é capaz de expressar nosso deslumbramento com os mistérios de suas entranhas.

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  2. Lindo!!!
    O vento... sempre o bom vento =)

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