quarta-feira, 23 de março de 2011

Augúrios: Adivinhação pela Natureza

Talvez o oráculo mais idiossincrático de uma bruxa seja os augúrios. Faz parte da bruxaria a interpretação deles, e, infelizmente, é um dos oráculos mais desprezados.
De uma maneira geral podemos a definir um augúrio como a leitura e interpretação de sinais naturais como o aparecimento e comportamento de determinados animais, observação de fenômenos meteorológicos (chuva, nuvens, trovão)e etc., a fim de antever o futuro.  

Na mitologia grega, Calcante, adivinho de Micenas agraciado pelo dom da profecia concedido por Apolo, era capaz de interpretar o futuro pelo vôo dos pássaros. Antigos sacerdotes romanos denominados áugures eram muito estimados pelo povo e, por seu enorme prestígio, tinham autoridades garantidas por lei na aplicação de castigos contra quem lhes desrespeitassem. Os áugures exerciam comumente uma prática denominada hepatoscopia, a famosa adivinhação pelo exame das entranhas e das vísceras dos animais.

O mais importante em se saber sobre os augúrios é que eles são pessoais, pois cada pessoa tem uma linguagem própria e um conjunto de significados igualmente próprios - parecido com as interpretações dos sonhos segundo a psicologia. Conheço uma pessoa, por exemplo, que tem um augúrio interessantíssimo envolvendo corujas; enquanto elas são um símbolo universal de sabedoria, para ela elas significam morte e realmente, quando uma coruja pousa sobre o telhado de sua casa e canta de uma maneira específica (que só ela parece reconhecer) logo chega-lhe notícias fúnebres sobre pessoas estimadas.
Um augúrio muito significativo para mim é cruzar com borboletas negras, pois já sei que em breve receberei notícias ruins.

O coração do augúrio é a conexão do bruxo com os eventos naturais até chegar ao ponto no qual ela - a natureza - fala com o ele e ele entende os ciclos que pelos quais está passando ou irá passar através de seus reflexos no mundo natural. E aqui deve ser desfeito um eventual conceito que pode passar pela cabeça das pessoas – que perdura desde a Idade Média - de que animais nos trazem infortúnios. Isso é um absurdo sem tamanho; na natureza não existem aleatoriedades, dentro da grande teia de energia que permeia o universo tudo vibra em perfeita ordem então não são os animais que nos trazem acontecimentos ruins ou bons, mas eles são atraídos pela eminência destes através da energia que os precede - por isso eu achava um absurdo quando minha mãe praguejava contras as corujas e tentava expulsá-las a todo custo.

O talento de ler augúrios é um talento natural de uma bruxa, ele parece simplesmente acontecer e surgir em nossos caminhos, de acordo com o próprio temperamento da bruxa. Não é algo como o tarot ou runas que, embora necessite de intuição desenvolvida para uma leitura com mais segurança, se baseia num conjunto de símbolos comuns e em linguagens fixas possibilitando leituras satisfatórias apenas com o domínio básico destas linguagens. Como já dito anteriormente, os augúrios não possuem uma linguagem universal variando de bruxo para bruxo, abrir-se para a natureza e ficar atento às sutilezas da vida e do ambiente que nos cerca pode ser um caminho para dominarmos este oráculo tão especial.

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