quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Integridade

"Um homem não deve fazer uma promessa a menos que tenha certeza de que a cumprirá. Os deuses não ouvem as preces de um homem que dos lábios as palavras saem sem valor."
- Do Livro Proibido de Lucherion


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Compaixão

Às vezes tudo o que necessitamos na vida seja tempo e um pouco de compaixão e aceitação da vida como ela foi, perdoar os outros e a sim mesmo, retirar o peso do coração.
Sempre que preciso destes momentos de catarse é à Ela que eu me volto, Aquela Que Ouve os Lamentos do Mundo, não importa o nome ou a forma que Lhe dêem.

Kuan Yin, divindade chinesa da compaixão
Nossa Senhora das Dores

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Verba Sanguinis


Veio indicar o meu novo blog onde minha alma se expressa em forma de poesias, pensamentos e devaneios em cor de carmim.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Sem Rumo

"Depois de estar cansado de procurar
Aprendi a encontrar.
Depois de um vento me ter feito frente
Navego com todos os ventos."
Nietzsche

Dizem que quando não sabemos onde queremos chegar, todos os caminhos nos levam ao nada. Nada mais poderia ser tão nocivo à alma quanto o homem pressupor que sabe qual o caminho que deseja trilhar com toda convicção. Não! Não sabemos, creio que a maioria de nós não sabem, e quando sabemos logo adiante nos tenta a possibilidade de desviarmos deste caminho e seguir outro.
Mover-se é melhor do que ficar inerte. E arrepender-se de um engano muitas vezes é melhor do que lamentar por uma omissão. A vida seguirá seu curso e a Roda da Fortuna continuará a girar estamos nós prontos ou não. 
Por muito tempo hesitei mover-me por medo de não saber onde queria ir. E isso só tornara minha alma mais pobre, mais cega e mais inconsciente de todas as experiências que o mundo tem para oferecer. Querer proteger-se de todo mal exterior é prender-se numa prisão. Só é livre quem, de peito aberto, coloca o coração na Mão da Vida aceitando os ferimentos dos espinhos e a maciez e o perfume da flor, pois eis que eles não nascem separados uns dos outros.
Não mover-se por não saber onde se está indo é um engano. Muitas vezes o caminho só se torna visível quando por ele se passa.





segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Introspecção

“O amor, para ser verdadeiro, tem de doer. 
Não basta dar o supérfluo a quem necessita, 
é preciso dar até que isso nos machuque.”
Madre Teresa de Calcutá



Não sei se mercúrio está retrógrado, pois sou relapso demais à astrologia, apenas sei que ultimamente não estou conseguindo escrever no blog. As musas estão distantes. Eu estou muito inconstante. Muitas coisas estão acontecendo em meu íntimo, na verdade eu não parei de escrever meus pensamentos e sentimentos, mas ultimamente eles são de uma natureza tão caótica e introspectiva que talvez não seja de interesse público.
Por estas trilhas tortuosas continuo seguindo com cada vez menos certeza e cada vez mais dúvidas. Com cada vez menos respostas e com cada vez mais perguntas. O que pensava que era já não é mais e o que pensei que nunca tivesse sido, talvez o seja. Enfim, são processos que nossa alma passa a fim de que tornemos quem somos seguindo o conselho de Nietzsche.
Apenas de uma coisa eu ainda tenho certeza: a magia existe. Tenho que acreditar, pois uma alma que não tenha fé ou que não acredite em milagre ou magia ou já está anestesiada e insensível demais ante as paixões humanas, ou mente impudicamente ou nada sofreu nesta jornada em carne, ossos e sangue.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Salvador


Engraçado como sempre vemos no outro um salvador.
 Mas ninguém virá e salvará sua vida. 
Seja você mesmo as chaves que te libertarão da prisão.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Lâminas do Destino

Diário de Um Bruxo Solitário

"So I guess the fortune teller's right
I should have seen just what was there
And not some Holy light"
Torn, Natalia Imbruglia


Como eu queria que desta vez ele estivesse errado. Eu sinceramente desejei que ele tivesse errado. Mas ele nunca está errado Pelos deuses, ele sempre está certo. Tarot é o seu nome.
Ele não é culpado, nós é que vamos até ele na esperança que ele trará conforto para nossas misérias. Na esperança que ele diga  que o amor irá bater em nossas portas juntamente com a sorte. Na esperança que ele nos diga que estamos cercados de irmãos e irmãs que nos querem tão bem. Quanta ilusão. 
Ele não diz o que queremos ouvir, embora, muitas vezes em nossa cegueira, dor ou desespero, forjamos ler o que não está lá. 
Penso ser tão apropriado o termo lâmina: ele contém setenta e oito lâminas que rasgam o véu da ilusão.
Ele é apenas um espelho, àguas que refletem nossas almas. Elas podem estar tão limpidas como o de um lago no meio de um bosque primaveril ou tão turvas como um rio cheio de dejetos.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Cegueira da Luz

Diário de Um Bruxo Solitário


"Alguns elevam-se pelo pecado, outros caem pela virtude."
William Shakespeare


Ontem fui a um centro kardecista, não sei o que esperava ou melhor, sabia exatamente o que esperava: o término de minha catarse, de minha purificação. O kardecismo fora a ultima doutrina a me impressionar antes de eu me tornar pagão. E de sua fonte eu bebi por muito tempo e extrai muito conhecimento não preciso negar. Mas minha forma de ver o mundo mudou. E com ela minhas crenças. 
Sou um bruxo, um bruxo pagão.  Não, não aquele esteriótipo de bruxo pagão de uma era pós-murrayana. Meus castelos bruxescos já desmoronaram todos. Não sigo mais nenhuma litania ou teoria além daquela que meu genius dita. Algo dentro de mim sabe exatamente o que eu sou e o que eu devo fazer então resolvi dar tempo a esta voz para que mostre o caminho. Sem pressas, sem cobranças, sem ilusões. 
Mas não era sobre meu caminho que eu pretendia falar hoje, gostaria de registrar as minhas impressões sobre estas doutrinas que pregam a luz e a "bondade" a todo tempo. É insuportável conviver com este ideal utópico. O homem, assim como a natureza é um ser dúbio: o angelos e o daimon, faces de uma mesma alma. Ninguém consegue ser bom e luz todo o tempo, e quando não conseguimos o que acontece? Exatamente, a culpa estende suas garras e dá origem a todos tipo de flagelo e violência. Temos um lado negro, a vida possui um lado negro, a natureza possui forças destrutivas. Qual a necessidade de fecharmos os olhos a isso? Neste sentido eu admiro a doutrina wiccana com seus temas de equilíbrios entre luz e sombra. O "mal" não está nas sombras, o "mal" está no desequilíbrio, em qualquer tipo de desequilíbrio. Até mesmo na bondade exagerada que leva a uma auto-indulgência ou auto-abandono.
Todo o momento coisas morrem: animais morrem, sentimentos morrem, células morrem. Como fechar os olhos a todas as forças destrutivas que nos cercam? Hipocrisia, vaidade e húbris sem tamanho quem dizer que consegue procurar a Luz o tempo tempo.
Ontem a noite após chegar em casa da reunião eu tive uma visão: a Luz só existe porque as sombrar a constrasta. Não quero calar minha besta interior, meus instintos, meus desejos e todas as forças poderosas que da própria Vida são instrumentos. Continuarei dando a mim mesmo o privilégio de ser um pecador sem culpas.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Oração à Diana, Rainha dos Céus


"Oh minha Deusa Diana
Ouça minha canção de adoração
Ouça minha voz quando eu canto Teus louvores.
Ouça minhas músicas à medida que elas sobem ao céu,
Quando tiver Lua Cheia, brilhantemente reluzente,
Encha os céus com Tua beleza.
Oh minha linda Deusa da Lua
Ouça-me enquanto eu coloco me diante de Ti
Veja-me enquanto elevo-me em direção ao céu,
Quando meus braços erguidos rumam à Ti
Quando a Lua Cheia brilha sobre mim,
Dê-me Tuas bençãos, Oh Diana.
Ensina-me os mistérios antigos Teus
Antigos ritos de invocação dos quais a Strega sagrada falou,
Pois creio nas palavras da Strega:
Quando ela falara de Tua brilhante glória,
Quando ela nos dissera para rogar-Te,
Disse-nos quando buscamos o conhecimento pela busca
E achar-Te acima de todas as coisas.
Dê-nos a sabedoria, ó Diana:
Como amarrar nossos opressores,
Como curar os enfermos entre nós.
Ensina-me, ó Diana.
Dá-me Tuas bênçãos,
Ó Grande Deusa da Lua
Defenda-me dos meus opressores.
Receba-me como seu filho, Diana.
Receba-me, embora eu esteja preso à Terra.
Conceda-me a antigo conhecimento feiticeiro
Quando meu corpo repousa à noite,
fale ao meu espírito interior;
Ensina-me todos os Teus santos mistérios.
Creio na Tua promessa antiga,
Tua promessa junto às antigas bruxas
Que nós, que buscamos Tua santa presença receberemos Tua Sabedoria.
Agora, a Lua Cheia brilha sobre mim.
Ouça-me! Estou diante de Ti!
Conceda-me sabedoria! Oh Diana!
Proteja-me dos meus opressores!
Ensina-me Teus santos mistérios!
Eu canto Teu louvores ao céus.
Deixe Tua glória brilhar sobre mim.
Abençoa-nos, óh graciosa Rainha dos Céus.
Desça por entre nós;
Desça e conquiste,
Deusa graciosa."



Traduzido e adaptado de:
 The Witches Workbook:
 The Magick Grimoire of Lady Sheba, 
Jessie Wicker Bell (1975)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Alma Bruxa



"Cada vez mais me aproximo de abraçar totalmente a ideia de que quando se é, é, e não poderia ser de outra maneira. Quantas pessoas vemos por ai andando como bruxas, vestindo-se como bruxas e falando como bruxas mas que sabemos que não o são? Quantas pessoas que vemos por ai, dos tipos mais variados, do mais variados credos e etnias, mas que carregam consigo um olhar diferente, o Fogo e o sangue bruxo dentro de si? 
Um nome não faz uma bruxa. Um título não nomeia uma alma."



segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Avesso da Realidade

Tratados de Espiritualidade Caótica

Os vivos querem morrer, pois não suportam tanto sofrimento. Os mortos querem reencarnar, pois não suportam tanto sofrimento.
Este aforismo ou algo parecido fora lido por mim certa vez num livro budista que infelizmente eu não lembro mais o nome e encerra em si um desafio muito interessante para examinarmos nossas crenças e derrubarmos idéias errôneas amplamente acreditadas pela dita espiritualidade contemporânea. Fomos acostumados a crer que, aos moldes das filosofias orientais, gnósticas e kardecistas, que este mundo (material) é uma ilusão, uma prisão e um mundo de expiações, um sufrágio para o espírito e para a alma. Que a morte é a libertação desta densidade opressora. Que quando sonhamos estamos libertos.
E se eu te disser que é exatamente o contrário? E se tudo o que acreditamos até hoje estiver equivocado?
Comece pelos seus sonhos, os sentimentos que experimentamos neles não são as vezes muito mais intensos do que aqueles que experimentamos em estado de vigília? Isto acontece porque nosso corpo físico não é sensível emocionalmente, ele é apenas sensível em nível físico (como calor, umidade, frio, aridez, etc), emoções são sentidas pelo corpo astral ou emocional e é deste corpo que o nosso Eu fica quase que totalmente consciente durante o sono. Quando dormíamos então despertamos para a realidade e quando abrimos nossos olhos pela manhã, então o sonho começa.
Continuando com este pensamento, a vida material que sempre foi tida como castigo e sofrimento e a vida espiritual (por falta de uma classificação melhor) que sempre foi tida como libertação perde seu sentido. É comum ouvirmos das pessoas que fulano morreu e foi "descansar". Infelizmente isso pode não ser verdade. Existe no mundo espiritual, assim como no material, muitas regiões diferentes que, por afinidade e vibração, atraem grupos diferentes de espíritos. É no que o espírito acredita que vai moldar sua realidade. O espírito, entendido aqui como manifestação não-material da alma, possui poderes inescrutáveis e, livre da densidade da matéria, todas as suas visões, crenças, esperanças, temores e sentimentos imediatamente se tornam palpável no mundo espiritual. Além disso, lembranças de todas as vidas regressas voltam a ficar consciente num turbilhão de acontecimentos por vezes insuportável àquele espírito. A volta ao mundo material então, é uma benção e um alívio. A reencarnação é um descanso para a alma e não a morte.
Que todos possam olhar para a vida material com outros olhos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Para Refletir: Sobre Ética

"Uma vida correta é promovida por meio da filosofia,
 não obrigatoriamente por meio da religião"


Sophia

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Da Origem das Almas

Tratados de Ciências Ocultas

Quanto a reencarnação no reino humano é comum que o estudante indague como pode se explica que no princípio havia tão poucos humanos e hoje somos em um número infinitamente superior. Pois bem, todas as almas são originadas da Anima Mundi e pode passar por processos de fragmentação contínuos, o propósito deste nascimento fica sujeito a especulações místicas, filosóficas e religiosas e cada sistema de crença possuirá suas próprias teorias.
Deste mecanismo de criação, uma constatação  relevante deve ser apontada: se a Anima Mundi e suas almas fossem ficar se dividindo apenas constantemente, elas se enfraqueceriam pela fragmentação ininterrupta; então, para evitar que isso aconteça, as almas, do mesmo modo que se separaram podem se unir e voltar à Anima Mundi. Este mecanismo pode ser verificado através da crença difundida das almas gêmeas, mas ao contrário do que se acredita popularmente, a alma pode se dividir em mais de duas partes. As partes que compõem uma alma fragmentada são ligadas entre si por um magnetismo forte, um desejo de união, uma força de atração superior dentre os homens conhecida como amor.
O amor é a força de coesão que permeia toda a Anima Mundi e a infinidade de almas humanas e não-humanas que dela se originam.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

T-GIF: Obsessão

Thank gods it's friday!

...Por que um GIF fala mais que mil palavras...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Valentina e a Roseira: Uma Fábula Sobre o Medo, a Maldade e a Fé

Sentada junto à roseira, Valentina olha sua avó que com a mesma destreza de sempre cuida de seu jardim.  Após algum tempo ela ouve sua queria avó liberar um pequeno balbucio de dor por causa de um espinho e então Valentina a interpela:

- Vovó, vovó, machucou a dedo na roseira? Esta roseira é má!

Diante de tal declaração, Eva não pode segurar suas gargalhadas e com ternura passa sua mão na cabeça de sua neta dizendo:

- Não querida a roseira não é má. Nada é inteiramente mal e tampouco inteiramente bom. A roseira apenas é uma roseira e eu apenas furei meu dedo por falta de atenção, estava pressionando-a muito.

- A roseira apenas se defendeu porque achou que a senhora iria machucá-la? – interroga a pequena Valentina já ávida para compartilhar da sabedoria da matriarca.

- Sim minha pequena, exatamente, ela apenas se defendeu... – mas antes que pudesse concluir seu pensamento a pequena Valentina, afobada como sempre já a interrompe:

- Então não existem pessoas más vovó? Aquele homem que machucou meus pais não é mal?

Uma lágrima rola pelo rosto de Eva e ela prossegue:

- Acho que sim querida, a aparente “maldade” das pessoas não passam de defesas. As pessoas são movidas a causar dor principalmente pelo medo: medo da solidão, medo da dor, medo do sofrimento, medo da sede e da fome do corpo e do espírito e até mesmo medo de amar! – respondeu pacientemente Eva à Valentina.

- Vovó, eu tenho medo do escuro e tenho medo de que a senhora vá morar com papai e mamãe também, eu vou ser uma menina má então vovó? – Interpela Valentina mais uma vez.

Com seus risos de ternura, Eva abraça sua pequena dádiva e sussurra em seus ouvidos:

- Minha queria, não és uma menina má e nunca será e teu medo pode te levar a fazer coisas que magoe ou fira alguém num futuro, mas não serás má por isso do mesmo modo que o espinho da rosa não a torna menos exuberante e perfumada.

Já confortada por Eva, a pequena Valentina ainda pergunta:

- Mas vovó, como eu faço para não sentir mais medo?

E prontamente Eva responde:

- A fé minha queria, a fé espanta todo medo que tiveres. Tenha fé que as mesmas Forças que sempre cuidaram de nossos antepassados e dessa terra cuidará de nós, não importa o nome que damos a elas.  E não se esqueça de que nunca estarás sozinha, haverá sempre uma estrela dentro de ti que iluminará teus caminhos. Quando tiveres medo de algo, imagine teu medo como um demônio horrível e então deixe a luz de sua estrela brilhar e espantar a escuridão.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Oráculo

Bruxaria & Poesia

Donde vem este sangue
que corre por entre as veias
e queima como os quatros rios infernais?



 Donde vem esta música
doce como o canto da sereia
que desperta bestas abismais?

Donde vem este DNA
de linhagens de feiticeiras
e seres celestiais?

Pela glória e decadência
Pela imoralidade e decência
Pela fé e ciência
Pela benção e maldição
Pela lógica e contradição
Pela salvação
Pela eterna perdição
Pela perfeição
Da forja e do caldeirão

A voz do oráculo,
ecoa, sem humana razão


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Andarilhos e Peregrinos

O que sou? Um devoto de deuses mais antigos que o tempo através de uma ritualística pessoal - herege e livre de poderes seculares. Aquele que chama espíritos no limiar da meia-noite. Que conjura a maldição, a justiça e a fúria de vingança mais infernal sobre um inimigo e a benção, a proteção e a sorte mais resplandecente a um irmão. Aquele que roga às estrelas sob o manto da noite. Aquele que conversa com as plantas e pede emprestadas as suas virtudes. Aquele que quando fecha os olhos, acorda. Aquele que forja a sua própria realidade pelos mais luxuriosos desejos e pelas mais sublimes vontades. Que traça sigilos no ar e ouve a Voz do vento. Sou bruxo. Mas que bruxo  sou eu?
Um andarilho, pois eis que não ando pelos caminhos tortuosos guiado pela Luz do Chifre de um Mestre. Caminho tateando pela escuridão sendo guiado pela Luz das estrelas tão somente e muitas vezes, infelizmente, nem percebo que já estou num outro caminho.
Um andarilho, pois eis que não tive a honra de herdar uma Tradição, não possuo uma bússola diante dos muitos rumos que a jornada pode tomar e a Palavra não me livra da Mentira. 
Um andarilho, pois minha herança perdeu-se no tempo e a Tradição é senão uma sombra, uma esperança, um tesouro a ser descoberto e sem rumo vagueio pela estrada. Possuo apenas minha alma e sua sabedoria ancestral de muitas vidas para ligar os elos rompidos.
Um andarilho, pois eis que não recebi litania de como conjurar e adorar Os Poderosos. Nem mesmo sei a certo Quem eles são. Seus nomes secretos, seus sacrifícios prediletos, seus domínios, suas Virtudes. Mas possuo um genius, um daimon, que sutilmente sussurra em meu ouvido instruções estranhas e mitologias proibidas.
Um andarilho, pois eis que não tenho irmãos juramentados com os quais poderia de seus conhecimentos compartilhar do mesmo cálice e beber o Elixir de suas experiências. Mas tenho livros e escritos, cálices vazios que tentam, pela forma, instruir sobre o conteúdo secreto que poderiam conter, mas que não o podem por este meio limitado.
Um andarilho, apenas um andarilho, vivendo sob o véu de uma profecia a se realizar...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Reflexões Sobre Unicidade

Um antigo grego sabia que toda sua vida e dos próprios deuses estava nas mãos das Moiras, assim com o um germânico também sabia que as suas estavam nas mãos das Norns e nas tradições populares britânicas se pedia a intercessão das Três Damas para interferir no Destino.
Lúcifer na tradição católica fora punido por ter-se rebelado  contra Deus. A Serpente deu o Conhecimento à humanidade. Prometeu foi punido por ter-se rebelado contra Zeus. Prometeu deu o Fogo à humanidade. Eva e Pandora compartilham de uma culpa e curiosidade semelhantes. O Diabo, Hermes e Loki compartilham igualmente do mesmo gênio ladino. Sigurd e São Jorge ambos tiveram que derrotar um dragão.
Deus mandou um filho à Terra que se sacrificou assim como inúmeros outros deuses pagãos sacrificados existiram antes. Maria foi uma  Virgem como tantas Virgens de outrora. 
No altar o vinho se torna o sangue do Cordeiro assim como nos tempos antigos o vinho era a Essência de Dionísio. No altar a hóstia se torna o corpo do Cordeiro assim como nos tempos antigos os cereais eram o corpo da deusa Deméter.

O que há por trás destas semelhanças? Meras cópias e plágios não iriam muito longe assim como não há mentiras que fiquem de pé diante da Mão do Tempo.
Elas se perpetuam porque há algo mais profundo que as sustentam. Existem ecos que se reverberam, ecos de uma Verdade Primeira e Pura posteriormente representada, travestida, expressada e até mesmo corrompida pelas doutrinas, pelos símbolos, pelos ícones, pelos objetos e pelos mitos e ritos.
O que jaz na raiz de todas essas máscaras e velamentos? A pergunta contém sua própria resposta.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Um Breve Chamado a Nix



"Salve Nix
Grande Deusa do Cosmos
Rainha das Galaxias
A Primeira Nascida
Do Caos originada
De Ti todas as coisas vieram
E pra Ti elas hão de retornar
Abraça-me com Tuas negras asas
Ensine-me os segredos das Estrelas
Expanda minha consciência
Para o Universo sem fronteiras"

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A Arte do Silêncio


Cada vez mais creio que na vida seja fundamental aprender a não dizer o que não precisa ser dito...
... E na Arte não poderia ser diferente. Demorou muito tempo, mas finalmente compreendi o paradigma do silêncio e do segredo.
Pensava que não havia problemas contar sobre os feitiços que fazia. Que não havia problema em contar sobre meus espíritos animais e familiares e guias. Sobre os Deuses e Espíritos que honrava e trabalhava. Sobre os Mistérios que descobria. Quanta ingenuidade...
...Conhecimento é poder - todos sabem disso. E ele pode ser profanado quando ouvido por almas inferiores e mal interpretado quando por almas ignorantes. Além disso, conhecimento pode ser poder sobre/contra você mesmo. 
O mais engraçado, no final das contas, é que a Natureza não faz absoluta questão de manter segredo sobre seus Mistérios... Aqueles que tenham olhos e ouvidos que vejam e ouçam.
See Who Whispers, Dale Whiterow

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Baco Crucificado

Não é novidade para ninguém que o Cristianismo não seja original. Não no sentido de cópia - não assumirei um comportamento extremista anticristão - mas no sentido que ele contém símbolos e mitos universais que o precede. Dentre estes mitos, podemos destacar os temas de uma mulher trazendo o "mal" ao mundo relacionando-se a Pandora/Eva, o pão (grãos) transmutando-se numa deidade relacionando-se a Deméter/Eucaristia, etc. Embora o símbolo da cruz e o mito de um deus sacrificado também seja amplamente encontrado nas antigas culturas pré-cristãs, a imagem em especial de um deus crucificado parecia até então ser exclusivo do Cristianismo , apenas parecia:

Este amuleto incomum data do terceiro século d.C. É considerado como um encanto mágico e retrata uma figura crucificada do deus do vinho Baco. Acima da figura há uma lua crescente e sete estrelas de significado desconhecido. É incomum uma vez que retrata uma figura crucificada além de Cristo numa época que imagens similares de Jesus eram raras.
-traduzido de Crucified Bacchus, SymbolDictionery.net.


Seria este símbolo de uma heresia pagã? Ou cristã? Um culto de mistérios? Bruxaria talvez? Apenas folk magic? Sincretismo precoce? Infelizmente qualquer coisa que se afirme não passará de especulação. Meu palpite é que a imagem evidencia a universalidade de certos Mistérios.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Banho de Purificação com Boldo

Esta receita eu acabei de aprender com uma colega de trabalho (cristã por sinal). Receitou ela que, para o descanso do corpo e a purificação da alma, que tomassemos um banho com boldo-de-jardim (Plectranthus barbatus*).
A receita é simples: ferva a água, depois acrescente sete folhas de boldo. Tampe a panela e deixe-as em infusão por algum tempo. Após, tome o banho normal e, ao final dele, despeje a infusão já coada enquanto faz suas orações – nas palavras dela – “pedindo a Deus que retire todo o cansaço e mal de seu corpo através das ervas, dessa água verde...”



Creio ser uma tarefa importante para nós, desta terra de Vera Cruz, aprendermos o uso das ervas deste solo abençoado tanto pela praticidade (uma vez que a maioria das fontes sobre herbologia contém ervas européias, muitas de difícil acesso) quanto pelo resgate e preservação da cultura de nosso povo.


*para informações medicinais clique aqui

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Das Sete Auras Nefastas de Uma Ofensiva Mágica

Tratados de Magia e Feitiçaria

Bruxos, magistas e feiticeiros em geral utilizam-se da chamada magia de guerra, que, dentre outras práticas, incluem os feitiços de ataque, conjuros de maldições, malefícios, invocação de obssessores, amarrações e toda sorte de feitiços e rituais danosos para os mais variados propositos. Muitos os lançam para legítima defesa, própria ou de outrem, mas tantos outros os utilizam por mero capricho sendo de suma importância para qualquer bruxo saber reconhecer quando ele, alguém ou alguma coisa estão sob efeito destes feitiços para poder contra-atacá-los ou anular seus efeitos.
Ataques astrais e espirituais através de feitiços criam em torno do alvo (seja uma pessoa, um animal, um bem material, etc) diversas auras nefastas, campos energético-astrais perniciosos, que atrai os mais diversos tipos de acontecimentos ruins seja como resultado vibracional do feitiço ou mesmo como meio do próprio feitiço agir e que pode ser detectada através de alguns sinais: 

A Aura Nefasta da Praga
O primeiro sinal da presença de um feitiço de ataque é percebido pelo aumento anormal de insetos e animais peçonhentos (baratas e aranhas principalmente) em torno do alvo. Isto acontece porque estes animais são depuradores energéticos e são atraídos a locais de energia densa para cumprir seu trabalho.

A Aura Nefasta da Putrefação
Os processos de quebra e desintegração energética e astral causado pelos feitiços ofensivos se refletem no mundo material sendo evidenciado por uma frequencia anormal de putrefação de alimentos sob a aura nefasta dos mesmos.

A Aura Nefasta da Enfermidade
Seguindo a mesmo processo de quebra e desintegração dos padrões astrais e energéticos, a aura nefasta que recai sobre pessoas, animais e plantas em torno do alvo pode fazer com que eles sejam acometidos frequentemente por enfermidades e desequilíbrios físicos sendo a letargia a mais recorrente.

A Aura Nefasta do Azar
Pessoas e locais sob ataque de um feitiço podem sofrer de azar generalizado, indicando geralmente a presença de entidades e espíritos malfazejos agindo para que tais eventos infelizes aconteçam como desencontros com pessoas importantes, acidentes, perdas financeiras, perda de emprego, etc.

A Aura Nefasta da Hostilidade
Uma pessoa, animal ou lugar sob a aura nefasta podem se tornar vítimas potenciais de hostilidades por parte de outros seres como discussões e agressões gratuitas. Certamente as discussões são constantes num local que esteja sob ataque mágico. A hostilidade e discórdia podem ser incitadas tanto por padrão de desequilíbrio energético originado pela aura nefasta quanto pela intervenção e sugestão de entidades mal-intencionadas.

A Aura Nefasta do Pesadelo
Os feitiços de ataque perturbam as frequencias energéticas e estrais da pessoa sob sua influencia causando-lhe pesadelos recorrentes sempre com os mesmos simbolismos ligados a natureza do feitiço ou mesmo insônia severa. Pesadelos também podem ser causados por ataques astrais das entidades conjuradas.

A Aura Nefasta da Loucura
Os padrões psíquicos desestruturados pela aura nefasta, acompanhado frequentemente por espíritos malfazejos, pode fazer com que o alvo se torne agressivo e também seja acometido por alucinações, sensação de desespero, depressão, pânico, alienação e toda sorte de desequilíbrios mentais e emocionais.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Bruxaria Tradicional: Historicidade e Perpetuidade

Excertos da Entrevista de Mike Howard  para a editora Three Hands Press

A fim de provomer seu novo livro 'Children of Cain: A Study of Modern Witchcraft' [Crianças de Caim: Um Estudo da Bruxaria Moderna],  que se propoe a discorrer sobre a história e algumas chaves operacionais da Bruxaria Tradicional na Grã-Bretanha e EUA,  Mike Howard fora convidado por sua editora - a Three Hands Press - para uma entrevista exclusiva para falar sobre assuntos diversos ligados à sua nova obra. Nesta, ele elucida vários pontos da Arte Tradicional como o crescimento da corrente luciferiana dentro de algumas tradições na figura moderna de Lumiel, as práticas ocultistas e cerimoniais dentro da bruxaria, a relação entre bruxas e natureza, as divindades e espíritos da Arte, elitismo, a adoração de ambas as mãos entre outros.

Abaixo transcrevo alguns trechos com tradução livre que considero de significativa relevância para aqueles que queiram conhecer um pouco mais não apenas da Bruxaria Tradicional, mas da bruxaria como um todo, a partir do momento que são adotadas perspectivas históricas e factuais e não apenas especulativas sobre a Arte das Bruxas. A entrevista completa (em inglês) pode ser conferida no site da editora em Traditional Witchcraft: Historicity and Perpetuity - An Interview with Michael Howard.

    "Em minha opinião, a Arte Tradicional pode ser definida pelo fato de combinar vários sistemas mágicos,  crenças e maneiras de trabalhar magia que vão desde a primitiva a mais sofisticada - então chamadas 'baixa magia' e 'alta magia'."

    "O principal [equívoco sobre Bruxaria Tradicional] é que muitos dos chamados bruxos tradicionais afirmam em livros e artigos e em sites na internet que Bruxaria Tradicional é uma 'religião pagã de fertilidade'. Isto leva a aberrações como 'Bruxaria Tradicional Celta' e afirmações espúrias de tradições antigas que remontam a tempos pré-cristãos. Muitas bruxas tradicionais não consideram a sua arte como uma religião no sentido comum da palavra, nem mesmo uma pagã. Para elas, a bruxaria é mais um sistema mágico ou um caminho ocultista de desenvolvimento psíquico e espiritual.”

    "Há de se encarar que a Arte Tradicional é elitista. Ela é para poucos, não para muitos e sempre será. De certa maneira, isso é auto-gerado ou auto-criado porque nem todo mundo que está interessado em bruxaria per se será levado para o lado tradicional [dela]. Muitos estão absolutamente felizes como as formas mais populares e acessíveis que a bruxaria neo-pagã tem a oferecer."

    "Num nível esotérico, o conceito espiritual de que o 'sangue élfico' ou 'sangue-bruxo' descende dos Antigos Deuses ou dos Guardiões é uma crença central na maioria das formas de bruxaria tradicional. Não estamos falando aqui sobre uma continuidade física ou um única forma de DNA. Pelo contrário, é a alma que retorna à Arte através do processo de encarnação em 'casacos de pele'. Neste sentido esta é a derradeira forma de elitismo e exclusividade."

    "Por um longo período eu considerei Lúcifer com um deus-bruxo  [...] O nome de Madeline para Lúcifer era Senhor Lumiel (latino-hebraico) ou Lumial (latino-arábica), significando 'Senhor da Luz' [...] Desde então, o nome Lumiel tem sido amplamente adotado como um nome mais aceitável e menos controverso para o arcanjo rebelde e Senhor da Luz."

    "[...] Em meus artigos e livros usei o nome Lumiel para Lúcifer e cunhei o termo 'Arte Luciferiania'. Este termo foi usado para descrever aquelas formas de bruxaria tradicional modernas que reconhecem Lúcifer como um deus-bruxo e salvador da humanidade.

    "Ironicamente, a mais positiva exposição de mídia que Wiccanos receberam nos anos 80 e 90 realmente encorajou alguns seguidores da Fé Antiga a assumir o risco de vir a público. Suas motivações eram provar que outras formas de bruxaria além da Wicca existiam e tinham uma origem histórica e esta ainda é uma luta contínua. Também foi para atender a uma necessidade real na medida em que alguns dos que tinham sido iniciados na Wicca popular tornaram-se desiludidos com ela. Eles estavam agora em busca de algo mais profundo e autêntico."

    "Buscadores geralmente me perguntam como eles podem reconhecer o que é uma Arte Tradicional autêntica. Cada vez mais acredito que sua conexão com a bruxaria histórica, na crença e prática, que fornece o critério necessário para julgar aquilo que é autêntico ou não. Claro que diferentes variações da Arte antiga possuem suas similaridades e diferenças. Entretanto as mais genuínas formas de bruxaria tradicional compartilham certas 'chaves' que podem ser reconhecidas e indicarem se elas são genuínas."

    "De maneira geral a tradição de Robert Cochrane [Clan of Tubal Cain] tivera uma importante e poderosa influencia no avivamento da Bruxaria Tradicional."

    "Se Cochrane não era um bruxo hereditário então ele deve ter entrado em contanto com genuínos membros da Arte Antiga. Isto é porque sua tradição contém muitas das 'chaves' mencionadas antes que podem ser usadas para identificar a Bruxaria Tradicional. Por isso é ridículo para seus críticos alegarem que Cochrane 'inventou tudo'. É significativo que aqueles que fazem estas alegações nunca trabalharam seu sistema. Se eles tivessem feito, eles mudariam suas mentes - pois ele funciona e produz resultados. Este é o derradeiro teste para qualquer forma de bruxaria e magia."

    "Enquanto esta pode ser uma visão controversa, penso que é difícil separar completamente a Arte Antiga da tradição mágica ocidental. A relação entre bruxaria histórica e magia cerimonial é complexa e turva."

    "Outra contribuição pela Arte Antiga para a tradição mágica relaciona-se com a sobrevivência da magia salomônica. Foi frequentemente as bruxas que preservaram a práticas mágicas da tradição do grimório. Em seu livro Wictchraft and the Inquisition in Venice 1550-1650 [Bruxaria e Inquisição em Veneza 1550-1650], Ruth Martin refere-se a uma mulher detida por praticar bruxaria e uma cópia da Clavícula de Salomão foi achada em sua casa. Ela evidentemente emprestou o grimório e estava copiando à mão material dele em seu 'Livro Negro' pessoal."

    "Até mesmo Gerald Gardner herdou esta tradição [costume] dos Elders do velho covine que ele fora iniciado em New Forest em 1939. Em seu artigo na revista Illustrated em 1952 ele disse que o covine adicionou material da Clavícula de Salomão em seus rituais. No protótipo de Gardner do Livro das Sombras, Ye Bok of ye Arte Magical escrito nos anos 40, o lançamento do círculo ritual veio da Clavívula [de Salomão] e é o magus (sic) quem lança-o com uma espada cerimonial e não uma sacerdotisa como nas versões tardias do LdS."

    "Parte do problema [da animosidade mútua entre praticantes de magia cerimonial e bruxaria] é a projeção das visões dos neo-pagãos modernos de que a bruxaria histórica foi uma sobrevivência direta de uma religião pré-cristã. Como Robert Cochrane disse, elementos dos cultos pagãos de mistérios sobreviveram no culto das bruxas histórico mas ele não era 'pagão' per se. [...]"

    "Historiadores como Carlo Ginzburg, Bent Ankarloo e Gustav Henningsen identificaram elementos na bruxaria história da sobrevivência da adoração de uma figura tipo-deusa que pode ser identificada com Diana ou Frau Holda. O ensaio de Gustav Henningse 'Laides from de Outside: an Archaic Patter of the Wicthe's Sabbat in Early Modern Witchcraft', publicado pela Claredon Press Oxford em 1993, é um recurso útil relacionado a esta teoria. O ensaio lida com a perseguição das bruxas medievais sicilianas pela Inquisição Espanhola quando a Sicília era uma colônia imperial da Espanha. Ele descreve relatos recolhidos pelos inquisidores de contatos entre bruxas e fadas e reverência por uma figura feminina identificada pelos seus seguidores como 'rainha das fadas'. Uma 'deusa' similar é também conhecida nos julgamentos das bruxas inglesas e escocesas e era chamada de 'Rainha de Elfame' ou Terra das Fadas."

    "[...] Hoje, alguns bruxos tradicionais usam os salmos pra propósitos mágicos e subvertem e invertem imagens, simbolismos e crenças cristãs numa forma herética. Outros bruxos veem a estória de Jesus como uma legítima versão da antigo mito do 'deus sacrificado' ou rei divino.[...]"

    "Se crermos numa realidade de reinos multidimensionais além do mundo material, e esta é uma crença principal na bruxaria, então temos que aceitar que eles são habitados por outros seres, ex-humanos ou não-humanos. No Outro Mundo estas entidades podem não aparecer numa forma física que reconheceríamos. Tem-se sugerido que, na verdade, eles aparecem em formas abstratas de pura energia. Por esta razão, quando eles interagem com espíritos humanos, eles podem adotar imagens arquetípicas que são cultural e historicamente relevantes para aqueles que estão tendo a experiência."

    "Em muitas formas da Bruxaria Tradicional há o mito dos Guardiões ou dos então chamados "anjos caídos" encarnando em 'mantos de carne' no mundo material. Eles fizeram isso como exemplares culturais para então poderam instruir a humanidade nas artes da civilização e magia. Alguns bruxos luciferianos também acreditam que através das eras Lumiel tem encarnado na forma física em seu papel de Senhor do Mundo para acelerar o desenvolvimento espiritual da humanidade. Estes visitantes terrenos foram alegadamente registrados nos mitos antigos relacionados a deuses salvadores sacrificados como Osíris, Tammuz, Adônis, Átis, Mitras, Baldur, Quetzalcoatl - e mesmo Jesus. Se os Antigos Deuses e espíritos fossem meramente aspectos da psique humana ou projeções de nossas mentes e as correspondentes crenças associadas a eles, [então eles] não existiriam no mundo mitológico."

    "[...] Enquanto tradicionais podem reverenciar o deus-bruxo e a deusa-bruxa, que são deidades ou espíritos específicos e não apenas qualquer deus ou deusa pagã que você goste, igualmente como o Senhor e a Senhora, alguns dos velhos covines são exclusivamente orientados ao Deus Cornudo. Mesmo quando há uma deidade igualitária na Arte Tradicional, o Deus é uma figura muito menos emasculada que sua contra-parte na Wicca moderna e tem um papel mais amplo. Outros covines tradicionais possuem um sistema de crença animista e são politeístas na natureza com um largo séquito de espíritos masculinos e femininos.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Diário de Um Bruxo Solitário: Luna Anima, Cântico de Poder

Protegido pelo silêncio da noite e iluminado pela Lua sob o Véu das Estrelas, deixei meu corpo livre  movendo-se a seu gosto , enquanto minhas mãos teciam algo invisível no ar e meus lábios cantava em êxtase:


Eleve-me, eleve-me
Quero ouvir sua alma
Mestra natureza, Senhora Luna
Que nossas almas tornem-se una.

Eleve-me, eleve-me
Quero ouvir sua alma
Luz das estrelas, Senhora Luna
Que nossas almas tornem-se una

Eleve-me, eleve-me
Quero ouvir sua alma
Espírito da roseira [1], Senhora Luna
Que nossas almas tornem-se una"


_____________
[1] referi-me ao espírito da roseira pois este cântico fora criado espontaneamente quando estava perto de minha roseira e senti que devia invocar seu espírito para minha comunhão. Aquele que for usar este cântico pode e deve substituir este verso por um mais apropriado a suas circunstâncias.

sábado, 16 de julho de 2011

Diário de Um Bruxo Solitário: Pequeno Santuário Natural e Particular

Aos poucos percebo de onde vem, nasce e flui a magia e a energia. Não há sentido em trabalhar ritos para a Lua, o Sol, chamar pelos espíritos e deuses se não percebemos as linhas energéticas que nos cercam, se não houver contato com a terra e com os pequenos genii loci que a habitam.
Felizmente moro numa pequena cidade interiorana, e, embora seja uma cidade, ela é rodeada por arvoredos, planícies e lagos onde a presença dos gênios da natureza fluem tão nítidos quanto os cantos vigorosos dos pardais sob o Sol da aurora ou o solitário murmúrio da coruja sob a palidez da Lua - há até mesmo uma lenda urbana que diz que a cidade já fora um cemitério de índios num passado remoto reforçando a aura mágica da pequena cidade. 
Minha casa possui um quintal generoso onde cresce a mais exuberante e diversificada flora, da qual se destaca um limoeiro que eu me lembro de quando ainda era um broto e hoje é uma árvore frondosa. Havia também, por cima do limoeiro, um pé de maracujá e a noite,  suas flores exalavam seu perfume inebriante de mistério.  Meu quintal é sagrado pra mim e nele eu trabalho meus ritos de devoção e meus feitiços. Nele e em seus habitantes - grama, flores, árvores, ervas, aranhas, abelhas, borboletas, formigas e morcegos - eu vejo e sinto a dança das estações e ouço canções indomáveis. Não o vejo como limitado ou isolado, vejo-o como uma extensão das planícies e bosques que fazem vizinhança comigo e, durante a noite, quando o véu da Senhora acaba com a ilusão da individualidade, não há como dizer o contrário de meu pequeno santuário, natural e particular.

- arte da postagem: The Sacrad Lemon Tree, Catherine Walker >>

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Práticas de Magia Popular e Cristã de Família

Não ousaria e tampouco teria a petulância de dizer que pertenço a uma família de bruxos onde a tradição fora passada de geração em geração (embora há um poder inerente a linhagem passado pelo sangue). Contudo, seguramente reconheço algumas práticas e crenças de magia popular e magia cristã em vários ensinamentos transmitidos à minha mãe e desta a mim, daqueles que curiosa e respeitosamente ela chama (assim como muitas pessoas do interior paulista chama seus avós e bisavós) de "os antigos".  Infelizmente estas práticas são poucas e eu imagino o quanto de sabedoria magica tenha se perdido com o passar das gerações. Estes conhecimentos não eram ostentados por seus portadores - humildes camponeses- e, muitos da própria família os chamavam de superstições ou pecado, e só eram transmitidos pela necessidade ou como contos folclóricos.
Sinto que devo registrar estas práticas para não perder o pouco que sobrevivera deste legado mágico, herético, folclórico, supersticioso ou qualquer outro nome que lhes caibam.

Ângelus (1859), de Jean François Millet

O Canto da Coruja e o Anjo da Morte
É comum na sabedoria popular a premonição através de um augúrio pelo "canto" da coruja,  um canto que preconiza a morte. Uma vez indagamos a minha mãe que corujas sempre cantam e nem sempre morre alguém,e  ela disse que nem toda vez que a coruja canta ela “traz” a morte - que é apenas um canto especial, em suas palavras, "doído, triste, um choro". Sempre que pousa uma coruja em nosso telhado ou no de outrem e ela "canta a morte" minha mãe reconhece o anjo negro estendendo sua foice sobre a família da casa em que ela pousara. Não demora dias para o Ceifador estender suavemente beijar o escolhido.
Não raro, ainda, ela chega dizendo que fulano tem os dias curtos, pois ela vira um caixão ao lado da pessoa ou que está com gosto férreo de sangue na boca. Várias mortes já foram avisadas por ela dessa maneira e, às vezes, junto à visão ela diz que sua boca fica com gosto férreo de sangue.

O Leite da Virgem
Ela conhece um "benzimento" especial que aprendera com os "antigos" invocando o poder do "leite da Virgem Maria". Esta prática é sua maior especialidade e ela a utiliza em mim desde que me conheço por gente. Quando me benze, sinto um poder muito grande desprendendo de suas mãos e percorrendo todo o meu corpo.
Este benzimento é feito nossas costas ou testa da pessoa e envolve um encantamento e um rito. Ela chama pelo nome da pessoa, que terá que responder "senhora". Então ela sussura: "Não tenho nada pra te oferecer, tenho apenas o leite da Virgem Maria para te dar e te proteger". Muda-se as palavras finais do encanto de acordo com a necessidade.
Percebam que esta prática - assim como algumas outras "cristãs" que ela nos conta - não possui o objetivo principal de "adoração", mas, sobretudo, tem um objetivo prático geralmente envolvendo proteção ou cura.

O Credo para Benção e Maldição
A prática a seguir é uma prática cristã reconhecidamente herege que já a ouvi ensinando para muitas pessoas para ser usada contra inimigos. Se uma pessoa esta te perturbando ou tenha inveja e "olho-gordo", reze o "Creio em Deus Padre" de baixo pra cima (invertido) nas costas da pessoa três vezes que isso afasta o mal.
Ainda usando a "virtude" do Creio em Deus Padre, ela benze recitando-o enquanto "cruza" com as suas mãos as costas da pessoa. Ela diz que isso exorciza, fecha o corpo e protege. Sempre lembro-me dela nos dizendo que nem sequer imaginamos o poder imenso que o Creio em Deus Padre possui. Mais uma vez, o foco da oração passa longe da finalidade devocional.

Os Espíritos
Os relatos a seguir são comuns no interior paulista e também faz parte do legado de família. Em relação aos espíritos, minha mãe sempre nos ensinou várias coisas. Que nunca devemos responder quando chamam o nosso nome antes de ter a certeza que realmente alguém vivo é quem está nos chamamos. Que quando estamos comendo e o alimento cai de nossas mãos é porque algum espírito - geralmente de um parente falecido - está com vontade daquela comida e então devemos colocar um pedaço para ele. Que nunca devemos acender vela para espíritos dos mortos dentro de casa. E que, quando necessitássemos de algo, podíamos orar e oferecer velas (fora de casa sempre) às Sete Almas Benditas, às almas daqueles que morreram de fome, de sede, afogadas, queimadas, e outras que não me lembro - e provavelmente nem ela.

Mel e Sal
Sempre quando quiser aproximar duas pessoas, pegue duas velas brancas e escreva os nomes das pessoas nelas (um nome em cada vela) de cima pra baixo, então as envolva em mel ou em açúcar e coloque-as para queimar. Isso vai “adoçar” a relação entre as duas pessoas. Se, pelo contrário, você quiser afastar duas pessoas, escreva os nomes nas velas de baixo pra cima e jogue sal antes de queimá-las.



Àrvores que Realizam Desejos
A próxima prática é uma reconhecidamente pagã. Quando precisássemos de alguma coisa, era para pedirmos a uma árvore – isso era feito abraçando-a e contando para a mesmo nosso desejo. Certa vez, ela conseguiu a venda de uma casa amaldiçoada na qual que vivíamos pedindo para a árvore plantada em nossa calçada. Em prazo de pouco tempo a venda fora acertada. Ela ensinava também que podíamos pedir à Lua igualmente, mas nunca, ao Sol pois podíamos morrer queimados.

Apesar de todas estas práticas e ensinamentos hereges e mágicos, além de outros que me escapam à memória, minha mãe (assim como seus antepassados) se considera "Católica", e tem sincera devoção à Jesus, aos Santos e a Virgem Maria. E este é um pequeno retrato de fragmentos da magia popular camponesa nascida em berço pagão mediterrâneo, abençoada, amaldiçoada e assimilada pelos seguidores do Cristo e espalhada pelas terras de Vera Cruz.