quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Sobre Pontos de Vista


Gostaria de dizer algumas palavras sobre o post Classificando a Bruxaria que acabou recebendo uma crítica ofensiva que não merece mais ser exposta.
Não foi minha intenção abordar "conceitualmente" o tema, pois tal empreitada me obrigaria invariavelmente a adotar um determinado ponto de vista de uma tradição específica pelo qual julgaria a validade e/ou autenticidade das demais de acordo com tal visão; postura esta adotada pelo autor do artigo original que deu a base pra o meu texto e, ele tomou, o que quis evitar a todo custo, um discurso discriminatório e agressivo.
Propus-me então analisar o tema da forma mais material e impessoal e menos romântica e idealizada o possível, porém (paradoxalmente à defesa do primeiro parágrafo) não me isento da inevitável tendência de autores impregnarem suas obras, num grau ou outro, com sua própria ideologia; e fica bem claro pelo nome do blog que minha ideologia é, indubitavelmente, a da Bruxaria Moderna (Wiccaniana) e de um discuro não eurocentrista.

Bruxaria: Um Passado Envolto em Brumas

A Bruxaria é um assunto muito, muito controverso e historicamente discutível, felizmente ela não possui um livro sagrado para ser usado com única verdade e tudo o que sempre nos chegou sobre ela foram relatos, fragmentos históricos e tradições (familiares ou de "supostos" covens/grupos) esparsas, sempre com a possibilidade de terem sido alterados por quem os descreveu/conservou por causa do onipresente fantasma etnocêntrico ou “religiosocêntrico”. Como todos os esclarecidos, creio que o aspecto ritualístico das antigas bruxas e bruxos seja realmente um enigma do qual possuimos menos peças que do que a maioria gostaria de admitir, por estas práticas não serem passadas a escrito, mas oralmente. A base dos nossos rituais atuais tem a ver, sobretudo, como a forma de nos inspirarmos nas culturas arcaicas e de nos comunicarmos com as Entidades Antigas. Ninguém possui o conhecimento, depois desses séculos e de tanta repressão cultural de uma sociedade contra a outra (principalmente no que se refere aos celtas) e, após, da repressão religiosa massiva da Igreja, tal como o praticavam, embora existam pessoas que guardaram tais segredos, sem que estes mesmos tenham sofrido grandes influências de outras tradições transmitindo-os de família para familiar ou de Mestre para Iniciado; mas mesmo assim estes casos são relativamente raros. Desculpem se sou um pouco cético neste ponto e não acredito, ao contrário de muitos (incluindo Gardner), em linhagens de bruxas intactas pelo tempo... Sabemos ser isso uma utopia e uma tentativa - desnecessária - de querer impor à bruxaria uma característica arcaico-contínua no bom e velho estilo de que "o mais velho é sempre mais verdadeiro". Sinceramente, não precisamos reivindicar uma Mítica Era de Ouro inexistente e um passado histórico material para legitimar nossas crenças, ou temos fé ou não temos e quilos e mais quilos de "historicismos" não mudará este fato.
Enfim, pontos de vistas são pontos de vista e ninguém tem o direito de dar a última e derradeira palavra. As pessoas devem ser livres para seguirem o que suas consciências lhes orientarem, pois afinal de contas, foi este mesmo espírito de liberdade de escolha e pensamento que nos permitiram – neopagãos – a nos afastarmos dos conceitos dominantes dos espectros judaico-cristãos, patriarcais e materialistas da sociedade ocidental.

"Não há fatos, apenas interpretações." Nietzsche.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Classificando a Bruxaria



Este artigo está desatualizado e necessita de revisão, para que fique conciso com as novas abordagens da bruxaria deste autor que vos escreve.






Muitos já devem ter percebido que a palavra “bruxa” pode se referir a uma miríade de práticas e crenças tão diversas e até mesmo antagônicas que pode ser muito vago e sem sentido usá-la sem algum tipo de adjetivo que a classifique. Aqui está um lista de diversas formas de bruxaria tomando como ponto de partida (mas não limitado-se) a classificação pessoal de Isaac Bonewitts. Observe que várias dessas categorias são capazes de sobreposições e/ou de serem fundidas numa prática pessoal.


Formas de Bruxaria Histórica

Bruxaria Antropológica (Anthropologic Witchcraft)
Qualquer coisa que um antropólogo chame de "bruxaria", geralmente se referindo a um ou ambos os seguintes significados:
1. As práticas (reais ou supostas) de usuários de magia independentes da classe sacerdotal dominante que são suspeitos de, pelo menos, algumas vezes usar sua magia fora de suas normas culturais aceitas.
2. Uma condição interior, o uso de um poder sobrenatural/psíquico para práticas de malefícios sem o praticante necessitar de rituais ou sortilégios (a necessidade de objetos para a magia seria classificada antropologicamente de feitiçaria).
 
Bruxaria Antiga (Ancient Witchcraft)
São as formas de bruxaria protopagãs praticadas nas sociedades antigas, durante o período histórico denominado Idade Antiga, sobretudo aquelas praticadas nas sociedades mesopotâmicas, greco-romanas e outras da Europa e do Oriente Próximo. Suas fontes de estudo são principalmente os mitos e relatos gregos, mesopotâmicos  e  até mesmo o Antigo Testamento da Bíblia. A Bruxaria Arcaica, como base substancial de todas as formas póstumas de bruxaria, pode ser definida como um culto de natureza marginal e de cunho xamanístico às determinadas divindades (muitas vezes do submundo e/ou da magia) aliada a prática de feitiçaria; exatamente por se manterem a margem das normas culturais e religiosas vigentes de sua época, estas práticas não eram vistas com bons olhos pela sociedade. As bruxas mais famosas desta categoria são as gregas Circe e Medeia.

Bruxaria Criminal (Criminal Witchcraft)
A “Bruxaria” conceitual, originalmente concebida por aqueles que usaram o termo primeiro: a suspeita ou o uso real de magia para fins negativos - em outras palavras, malversação mágica o que incluem práticas diversas como as artes necromanticas, manipulação de venenos, lançamento de maldições, etc.

Bruxaria Herética (Heretic Witchcraft)
É um conceito distorcido, uma forma imaginária de culto de adoradores do Demônio inventado pela Igreja medieval em sua luta contra o paganismo. Era dito que o culto era composto de pessoas que adoravam o Diabo Cristão, em troca de poderes mágicos que eles usavam para se beneficiar e prejudicar os outros. Atualmente sabemos que nada disso é verdade, que os cultos de bruxaria se concentravam em divindades pagãs e suas práticas nada se pareciam com as que a Igreja medieval cunhou no ápice de seu exagero e imaginação fértil.


Formas de Bruxaria Contemporânea

Bruxaria Clássica (Classic Witchcraft), a.k.a. Curandeirismo (Cunning Craft)
São as práticas das pessoas referidas atualmente como “bruxas de vilarejo” ou “curandeiras” que muitos bruxos modernos pensam que foram as “bruxas originais”, mas, que são mais propriamente conhecidas como os homens e mulheres sábias, muitas vezes atuando sob uma espiritualidade mesopagã. Estas pessoas raramente eram chamadas de "feiticeiras/bruxas" (pelo menos em sua frente). As “pessoas sábias” geralmente recebem seus conhecimentos através dos pais ou de entidades espirituais. Estas pessoas são especialistas em obstetrícia; magias de curas; uso de ervas e remédios populares; poções do amor e venenos; adivinhação; lançamento de maldições e bênçãos. Bruxas Clássicas continuam a existir até hoje, em números cada vez menores, principalmente em vilarejos remotos e cidades pequenas e entre os ciganos ou outros grupos nômades.

Bruxaria Hereditária (Hereditary Witchcraft)
As práticas e crenças daqueles que afirmam pertencer (ou ter sido ensinado por membros) de famílias “undergrounds” que supostamente eram paleo ou mesopagãs por vários séculos na Europa e/ou nas Américas, usando sua riqueza e poder permanecer viva e secreta. A maioria esmagadora das pessoas que se dizem bruxos hereditários está simplesmente mentindo ou foram enganados por seus professores. Bruxaria Hereditária também é referida como Bruxaria de Tradição Familiar (Fam-Trad Witchcraft) ou mesmo Bruxaria Genética (Genetic Witchcraft). Estes últimos termos são utilizados por aquelas pessoas que acham que devem reivindicar uma bruxa como uma antepassada para ser uma bruxa hoje ou que pensam que tal ascendência "prova" elas serem melhores bruxas que aquelas sem tal ascendência.

Bruxaria Étnica (Ethnic Witchcraft)
Praticamente qualquer prática de "bruxaria" de origem não européia. Referem-se aquelas pessoas que usam magia, religião e métodos alternativos de cura e manipulação da realidade em suas próprias comunidades e que são genérica e inadequadamente chamadas de “bruxas” pelo termo culturalmente correto ser desconhecido pelo observador.

Bruxaria Tradicional (Traditional Witchcraft)
Um termo muito vago e abrangente, muitas vezes usado pelos concorrentes de Gardner  e outras pessoas alegando que suas práticas seriam mais velhas e mais autênticas do que a Wicca.
Geralmente por Bruxaria Tradicional, entende-se tradições mágico-espirituais marginalizadas pelo senso-comum envolvendo feitiçaria. Os chamados "Bruxos Tradicionais" são os portadores destas tradições, e o são, por estarem de acordo e em harmonia com os conceitos que formam a tradição. Embora haja muita confusão, a bruxaria tradicional não é exclusivamente familiar.
As práticas referidas aos Mistérios da Antiga Fé se referem às práticas pagãs, mágicas, feiticeiras e de ensinamentos místicos em sua maioria de origem européia que foram passadas em sucessão (raramente) ou resgatadas através de fragmentos desde pelo menos a última metade do Século XIX. As práticas referidas como Bruxaria Tradicional são variadas e de formatos diversos, de formas simples de folk magick (magia popular) e conjurações à rituais cerimoniais mais elaborados (se aproximando da Wicca). Embora se costume ressaltar a diferença entre Bruxaria Tradicional e Bruxaria Moderna (Wicca) é inegável as influencias desta última na forma como algumas correntes tradicionais se apresentam atualmente. Como exemplos de Bruxaria Tradicional temos a Stregheria, a tradição Feri, a  Bruxaria Tradicional Basca, etc...


Bruxaria Moderna (Modern Witchcraft) ou Wicca
Conhecida também por Bruxaria Neopagã, a Bruxaria Moderna, ou Wicca como veio a ser conhecida mais tarde, iniciou-se com Gerald Gardner no final dos anos 40 e 50, com base em seus contatos com um suposto coven clandestino britânico de bruxas pagãs chamado “New Forest”. A Bruxaria Moderna consiste originalmente numa religião de mistérios de caráter iniciático, sua prática é uma (suposta) reconstrução de um culto mágico-religioso antigo de bruxaria, complementado por: Alta-Magia, magia e folclore céltico-britânico e outros materiais arqueológicos e histórico-literários. Após Gardner terminar de compor, expandir e/ou reconstruir os ritos, leis e outros materiais, as cópias de sua obra caíram na mão de inúmeros outros que então reivindicavam o status de Tradição Familiar e/ou Bruxos Tradicionais e começaram novas religiões por conta própria ou remoldaram (muitas vezes à maneira gardneriana) antigas formas de cultos. A Bruxaria Moderna em sua forma original ficou conhecida como Wicca Gardneriana ou Bruxaria Tradicional Britânica para confundir ainda mais os termos e dela nasceram miríades de tradições wiccanianas por vezes muitos distantes dos moldes gardnerianos.

bruxaria-com-b-minúsculo
Tradicionalmente, bruxaria com o b minúsculo é uma forma de feitiçaria, com enfoque em encantamentos e divinação. Este tipo de praticante alega não estar praticando nenhum tipo de culto/religiosidade, mas um tipo de arte mágica (espiritualizada).


Variações da Bruxaria Contemporânea

Bruxaria Verde (Green Witchcraft)
Baseada em tradições familiares, enraizada em práticas célticas e céltico-ibéricas, aborda elementos da Bruxaria Clássica, neopaganismo e correntes religiosas dominantes. Os praticantes podem invocar tanto as divindades pagãs, quanto entidades cristãs (santos, anjos, etc). Os antigos feriados celtas são normalmente observados dentro do contexto social atual (Natal, Páscoa, Dia de Ação de Graças...). A Deusa e o Deus são identificados como femininos e masculinos em equilíbrio e como um só e há a ênfase do trabalho com os Elementos como extensões da divindade. A denominação Verde advém do fato de este tipo de bruxaria estar intensamente ligado à magia com ervas.

Bruxaria/Wicca Diânica (Dianic Wicca/Witchcraft)
1. Historicamente, um postulado culto medieval voltado à Diana e/ou Dianus, originário das idéias de Margaret Murray.
2. Termo usado por algumas bruxas neopagãs para se referir à sua concentração de culto na Deusa como mais importante do que o Deus, uma vez que sua visão henoteista defende que o Deus nasceu da Deusa.
3. Termo usado por algumas bruxas feministas, especialmente aquelas que são separatistas, para descrever as suas práticas e crenças.

 Bruxaria Feminista (Feminist Witchcraft)
Várias correntes de bruxaria monoteístas ou henoteístas iniciadas desde o início dos anos 70, influenciadas por Z. Budapest ou O Manifesto W.I.T.C.H do New York Redstocking ou pela comunidade Women's Spirituality Movement. Em parte um subproduto da Bruxaria Neopagã, com divindades masculinas botadas completamente para fora da religião e, em parte, um conglomerado de covens independentes e ecléticos de inclanações feministas. As religiões geralmente envolvem a adoração somente a Deusa sincrética (que é todas as deusas) e usam-A como uma fonte de inspiração, poder mágico e crescimento psicológico.

Bruxaria Feérica (Fairy/Faeri/Faërie Tradition Witchcraft)
São diversas tradições de bruxaria meso e/ou neopagã cuja origem remonta a Victor Anderson e suas revelações visionárias e extáticas. No início ele chamava sua prática de “ciência devocional” e não de bruxaria. Suas crenças e práticas, nitidamente ecléticas, incluem principalmente xamanismo africano, paganismo celta e magia huna. Seus ritos e paradigmas se voltam mais ao conceito de êxtase do que fertilidade.

Bruxaria Xamânica (Shamanic Witchcraft)
1. Originalmente, as crenças e práticas dos membros do postulado culto da Beladonna/Deusa da Lua por toda a Europa pré-medieval, remanescentes de bruxas que possam ter sobrevivido à Idade Média.
2.Tradições de Bruxaria que incorporam elementos xamanísticos de transe e cura. Uma das primeiras formas foi criada por Selena Fox combinando Bruxaria com psicologia transpessoal e tradições xamanísticas transculturais.

Bruxaria Eclética (Ecletic Witchcraft)
Se refere às crenças e as práticas daqueles que fusionam diversos elementos de várias tradições e tipos de bruxaria e religiões pagãs. Podem tanto ser considerada uma forma de Wicca, quanto de Bruxaria Tradicional

Bruxaria Gótica (Goth Witchcraft)
Uma mistura de Bruxaria com a Cultura Gótica. Bruxos góticos concentram-se na exploração do lado sombrio da espiritualidade e dos deuses.

Bruxaria Neoclássica (Neoclassic Witchcraft)
As práticas atuais de quem estão consciente ou inconscientemente, imitando algumas ou várias das atividades (reais ou supostas) das Bruxas Classicas/Curandeiras (Cunning Folk) e que se chamam (ou são chamados por outros) de "bruxas".


Formas Não-Pagãs de Bruxaria

Bruxaria Cristã (Christian Witchcraft) e Wicca-Cristã (Christian Wicca)
Bruxaria Cristã mistura conceitos herdados do judaísmo antigo, da Cabala e do gnosticismo cristão à Bruxaria Neo-Clássica e/ou Bruxaria Neo-Pagã (Wicca), criando assim práticas mesopagãs difíceis de classificar.
Aqueles que praticam primeira forma são frequentemente os crentes de que "a bruxaria é apenas uma arte", não uma religião. Dentro da Bruxaria Tradicional os elementos cristãos parecem não sofre tantos preconceitos quanto nas formas de bruxaria neo-pagãs. Aqueles que praticam a segunda são olhados com desconfiança tanto pelo Wiccanianos quanto pelos Cristãos, que estão inclinados a pensar neles como "hereges" em ambas as religiões.

Bruxaria Satânica
Uma forma de bruxaria praticada por alguns satanistas modernos, que tentam fazer tudo o que a Igreja medieval dizia que as bruxas faziam e que fundamentalistas atuais dizem que uma “bruxa” deve ser. O que eles praticam, no entanto é uma forma específica de magia e ritualística herética cristã . Algumas delas realizam missas negras e orgias, cometem blasfêmia e sacrilégio contra idéias e símbolos cristãos. Há alguma pequena sobreposição com a subcultura "gótica" da década de 1980, mas a maioria dos góticos não são satanistas.
 
Fontes Consultadas:
Issac Bonewitts. Bonewit's Essential Guide to Witchcraft and Wicca.

Rosemary Ellen Guiley. The Encyclopedia of Wicthes, Witchcraft and Wicca.

sábado, 27 de novembro de 2010

Crônicas de Bruxaria Urbana: A Iniciação de Sarah

por Nion

  
O círculo estava lançado, e dentro dele, Sarah apenas enxergava a Deusa, Aquela cujo nome não poderia dizer a ninguém em quem não pudesse depositar sua própria vida em confiança. Sarah não reconhecia o corpo de Helena, sua amiga, sua mãe, sua mestra. Os cabelos negros caindo pelas espáduas, os braceletes de prata feitos serpentes envolvendo os braços delicadamente, o corpo seminu deixando transparecer sob a organza toda sua formosura. A Deusa ali estava a esperando para dar-lhe as boas vindas. Ao seu lado, via-se o Rei da Floresta, o Grande Cornudo encarnado em Heitor, Aquele que a instruiu por um período de tempo.
Sarah passara a maior parte de Sua Noite Escura da Alma sendo instruída por Helena. Ela lhe ensinara a respeitar a Deusa que havia dentro dela, a cultuá-la como banhos de rosas, perfumes e respeito. Sarah aprendeu a usar as ervas, as pedras, os instrumentos de uma bruxa. Aprendeu a ouvir o Coração da Terra. 
Mas talvez, o mais importante para Sarah foi ter aprendido a não entregar sua vida a um homem. Foi ter aprendido ela era completa em si mesma, que a solidão existe quando nos afastamos de nós mesmos. Ela amava Lúcio, mas não poderia ser mais sua sombra, a noiva submissa, seu troféu. Não! Estava farta de suas mentiras e suas traições. E tudo isso passava pela cabeça dela, naquele instante, antes de entrar no círculo.
Sarah aprendeu a reconhecer o desejo dos Deuses, aprendeu formas de lutar por Eles e por sua nova família, mas, como Heitor um dia lhe disse:
- Os antepassados deste clã sempre acharam mais sensato viver para os Deuses que morrer por Eles, minha pequena, sempre se lembre disto.
Quantos pensamentos passavam-lhe pela cabeça, quantas lembranças. Não estava se sentindo muito bem, fora instruída para jejuar desde o por do sol do dia anterior e já se passavam mais de vinte quatro horas que ela não comia ou bebia nada que não fosse pão e água. Seu jejum não era apenas de alimentos, ela também não podia se relacionar sexualmente nem conversar com quem quer que fosse. Estava fraca, abatida, cansada do silêncio. As batidas de tambor vindas do escuro em algum ponto dentro do circulo a fazia enjoar ainda mais, o cheiro aveludado de incenso, cuja mistura de ervas era-lhe desconhecida fazia apenas fomentar sua náusea. As sombras dos outros membros do clã. As sombras de seus próprios pensamentos.
Não havia mais tempo, o Cornudo estava já estava ali, na sua frente. Sarah sentia algo diferente no olhar de Heitor. Seus olhos estavam intimidadores, como se ela fosse sua inimiga, uma estranha. Ele aproximou-se mais, sacou seu athame, e, apontando contra seu peito disse:
- Estiveste conosco por todo este tempo; mas ainda não te conhecemos por inteira. Muitos são os nossos inimigos, aqueles que querem ver nossos corpos jazidos no esquecimento da terra fria. Muitos são aqueles que querem extinguir deste mundo nosso Clã, para escarnecer de nossos antepassados e jogar na lama os nomes de nossos deuses. Querem ver nossas almas a vagar no Abismo mais profundo. Não há mais ocasião para mentiras nem máscaras. Temos que saber agora quem és. Aceitas adentrar o círculo com o coração sincero diante de teus Irmãos presentes, dos antepassados e dos Antigos?
Sarah estranhou o comportamento de Heitor, não era aquilo que haviam ensaiado semanas antes. Um frio correu-lhe pela espinha, e sua mente havia sido invadida por insegurança e medo: quem era aquele homem que a desafia tão rudemente? Como podiam não a conhecer, se mais de treze lunações havia partilhado de sua mesa, bebido de seu vinho, dividido suas lágrimas e seus sorrisos? Como agora ela podia ser uma desconhecida? Como podiam estar falando daquele jeito com ela? E Helena? Porque ficara lá parada com ar condolente enquanto era tratada como qualquer uma? Pensara que tinha uma família.
Antes que pudesse questionar ainda mais, Sarah ouviu uma voz rouca – talvez de Satara – vinda das sombras:
-Ela não é uma de nós! Não a deixem entrar! Não nos contamine com sua carne corrupta e seu sangue amaldiçoado! Não a deixem entrar! Posso ouvir sua alma atormentada! Você não me engana!
Sarah foi se desesperando, estavam a acusando de um monte de blasfêmia, mais vozes vinham de todos os cantos, eles vociferavam, acusavam, intimidavam, diziam que não era uma deles. Seus olhos estavam pesados, sua cabeça, rodando. Não sabia o que fazer... Queria gritar, queria correr, queria o afago de sua Mestra. Mas Helena estava imóvel, inalcançável, indiferente. No auge de seu desespero Sarah gritou com todo o seu ser:
-Eu sou vossa Irmã! Brinquei com vossos filhos! Frequentei vossos sagrados lares. Cultuei vossos deuses! Confiei em vossas promessas! Como me deixam desamparada agora? Lembram-vos de mim!
E o tempo parou. E as vozes pararam. E o tambor parou. E até mesmo a fumaça do incenso parecia suspensa no ar. Sarah ouvia apenas a batida de seu coração e do coração de Heitor. Ele olhou para  ela, sem perder o olhar sério e lhe disse:
- Se é uma de nós – diga-nos a senha.
- Só aprendi uma senha: Perfeito Amor e Perfeita Confiança! É tudo o que me pediram e é tudo o que tenho! – Sarah disse por entre soluços, tentando engolir o choro.
Heitor abaixou o punhal e estendeu-lhe a mão. Sarah segurou a mão ali estendida como da primeira vez que Heitor a encontrou; machucada no corpo e na alma, jogada na lama, humilhada por seu ex-namorado, ferida em seu orgulho. Sarah não conseguiu sorri de volta, mas se confortou com sua nova condição. Apenas esboçou-lhe um sorriso. Heitor a puxou para dentro do círculo e lhe beijou no rosto. Ele a levou até o altar caminhando deosil dentro do circulo enquanto os outros bruxos a desejavam boas vindas.
Sarah acalmou-se um pouco, Heitor a postou diante de Helena que, por sua vez, abraçou e beijou-lhe a testa. Naquele momento o ritual iria se cumprir. Helena foi caminhando suavemente em volta de Sarah, dizendo-lhe:
Eu te ensinei tudo o que sabia, ensinei-te como ser mulher e como honrar nossos deuses, mas agora, devo entregar-te aos cuidados do Deus. Você passou pelo primeiro teste! Conseguiu adentrar no templo! Mas isso não é garantia de que tornarás uma de nós! Você, que foi até agora Sarah, terá que morrer se quiser ser chamada por nós de Irmã! Abandonar sua vida mundana se quiser andar pelos outros mundos. Se livrar de suas dúvidas se quiser seguir os Antigos. Livra-te de teu nome, livra-te de tuas vestes. Você está pronta?
Sarah despiu-se, estava completamente nua e não mais tinha um nome. Heitor pegou o cálice que repousava sobre o altar, fez um sinal para uma das noviças se aproximar trazendo um frasco obscuro e enigmático. Ele abriu o frasco e despejou seu conteúdo no vinho:
- Se tiverdes pronta, toma-te este cálice entre tuas mãos e beba-o sem arrependimentos. Este vinho foi maculado pelo néctar da cicuta. Se tiverdes sido sincera desde o começo de tua jornada, e estiveres aqui para o serviço de nossos deuses e nossos irmãos, renascerá. Se pelo contrário for ti uma exploradora e tem estado conosco apenas pelo poder e posse daquilo que não lhe pertence, então que morra em agonia ou retira-te e volte para o exílio de onde a resgatamos! Escolha o teu destino, mas escolha bem, pois não poderás voltar atrás. Se continuar e renascer, não poderá voltar a fechar os olhos do espírito. Se continuar e morrer, não regressará, pois não há mortos que volte para o mundo dos vivos. Se desistir, será como se morresse em vida depois de tudo o que lhe foi mostrado.
Nua e Sem Nome, Ela tomou o cálice por entre suas mãos e não hesitou nem um segundo, sorveu todo o conteúdo do Cálice Sagrado, que representaria ou o útero de sua glória ou o túmulo de sua vergonha.

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* Esta crônica não possui relação alguma com o filme The Initiation of Sarah (1978) dirigido por Robert Day, servindo este apenas de inspiração para o título.



Licença Creative Commons
Crônicas de Bruxaria Urbana: A Iniciação de Sarah de Nion é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Oração de Benção de Dryghtyn

*Traduzida de “Dryghtyn Blessing Prayer” encontrado no livro Witch Blood! The Diary of a Witch High Priestess! de Patricia Crowther.


 “Em nome de Dryghtyn, a Antiga Providência,
Quem era desde o começo e será pela eternidade,
Masculino e Feminino, A Fonte Original de todas as coisas;
Onisciente, onipresente, onipotente;
Imutável, eterno.
Em nome da Senhora da Lua,
E do Senhor da Morte e Ressureição,
Em nome dos Poderosos dos Quatros Quartos,
Os Reis dos Elementos.
Abençoado seja este lugar, este tempo,
E aqueles que estiverem conosco agora.”

Quem é Dryghtyn?
Dryghtyn seria mais que as essências unidas do Deus e da Deusa desde que Ele/a é chamado/a “a fonte original de todas as coisas, oniciente, onipresente, onipotente, imutável, eterno/a.” Como afirma uma das leis de Gestalt: O Todo é maior que a soma das partes. Dryghtyn é o/a Último/a, o/a Absoluto/a, a Deidade na qual o Senhor e a Senhora são um só ao mesmo tempo, a primeira manifestação. Curioso notar que Dryghtyn é usado no lugar de JHVH em algumas bíblias inglesas antigas. Talvez seja esta a origem deste termo. 
Scott Cunningham e outros bruxos usam o termo The One para se referir a esta Deidade Primordial.

+Mais Informações? 

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Abrindo e Fechando Portais: Técnicas Básicas



Abrindo e Fechando o Véu

Quando realizamos um ato de magia, nós nos encontramos entre os mundos; por isso é comum as pessoas relatarem que, quando começam a estudar e praticar a bruxaria, começam a ver e sentir presenças, vultos, espectros, etc. O que acontece é que estamos abrindo um canal de percepção até então fechado.

Há um procedimento muitos simples para evitar que espíritos, elementais e demais habitantes de outras realidades adentrem em nossa vida cotidiana após feitiços e rituais que lidem com este tipo de criaturas.

Abrindo o Véu
Este rito pode fazer parte das preparações de centramento e concentração, ajudando a abrir os portais e complementando o centramento.

Com sua mão do poder, faça um movimento como se estivesse abrindo uma cortina. Visualize a cortina e diga: “Eu abro o véu que separa os Mundos”. Prossiga com o ritual.

Fechando o Véu
Este rito pode ser feito para encerrar um ritual ou feitiço, após a liberação do círculo e antes do aterramento.

Com sua mão do poder, faça o mesmo movimento do rito anterior, mas dessa vez, como se estivesse fechando uma cortina. Visualize a cortina e diga: “Eu fecho o véu que separa os Mundos”.
Isto fará com que as realidades voltem a se distanciar.


Fechando Portais

Outro método usado em magia é parecido, mas tem função diferente: serve para quando, num local, for sentido a presença de muitos espíritos de diversas naturezas e outros tipos de espectros.

Faça um pequeno ritual para despedir dos espíritos, algo simples como acender um incenso de banimento e pedir aos deuses que encaminhem os espíritos para onde eles deveriam estar; então visualize uma porta com fechadura. Há uma chave em sua mão e faça o movimento de trancar a porta com ela, girando-a. Deste modo, você fechará o portal por onde estes seres estão passando.

sábado, 3 de julho de 2010

Os Mistérios e a Magia das Cores



O poder das cores é reconhecido por cada cultura de uma maneira ou outra.
Os significados das cores surgem de duas origens separadas:
• A percepção da visão humana em combinação com conceitos culturais.
• A forma física real da luz.
De qualquer modo, as cores possuem Poderes que devem ser conhecidos pelo bruxo para que este as utilize para melhorar tanto sua vida quanto seus trabalhos mágicos. O poder das cores em afetar o psicológico humano é significativo e quando bem explorado, auxilia o praticante a se harmonizar com qualquer propósito.
Bruxas usam as cores de uma maneira consciente para atrair determinadas energias para si mesmas, para os ritos religiosos e encantamentos.

O poder simbólico da percepção
O poder mágico das cores não está relacionado totalmente com a sua aparência.
As cores possuem um significado para nós porque como humanos somos sensitivos ao ambiente. Notamos o que nos rodeia, e interpretamos em diferentes níveis de consciência de acordo com nossas influencias culturais e experiências pessoais.
O significado das cores é muito simbólico, e estas associações não são conscientes. Elas fazem parte do subconsciente pessoal e do inconsciente coletivo. Cada cor nos afeta de uma maneira particular e pode ajudar o bruxo a alinhar sua consciência com uma energia específica como no caso da magia com velas.
 
O poder objetivo da vibração
Por outro lado, uma parte do poder das cores provém de suas propriedades físicas e sua subjacente essência não física.
A cor realmente não existe. É apenas como nossos olhos e nosso corpo psíquico percebem e interpretam certas frequências de luz.
Estas frequências de luz, contudo, realmente existem, sendo a essência do que chamamos de cor.
Assim sendo, objetivamente, cada cor possui uma vibração e frequência que são sua energia independentemente da percepção humana.
A frequência do vermelho, por exemplo, é muito mais devagar do que a violeta, e seu comprimento de onda é muito maior, relativamente falando.
Então a vibração por trás da cor vermelha está ligada a uma realidade mais densa como a material e a violeta está relacionada a uma realidade menos densa como a espiritual.
Isto pode parecer uma percepção simbólica, mas vai muito além. Quanto menor o comprimento de onda, maior é o tipo de informação que pode ser contida dentro da mesma. Por esta razão, o vermelho contém uma energia mais densa ou bruta, correspondendo ao nosso centro de poder da raiz. E o violeta contém uma energia mais sutil ou refinada, correspondendo com o centro de poder da coroa.

 
Significado das Cores
 
AmareloElemental Ar. Intelecto, alerta mental, desenvolvimento intelectual, criatividade, concentração, aprendizagem. Persuasão. Atração. Adivinhação e clarividência. Prosperidade. Mudanças. Harmonia.
Amarelo esverdeadoRepresenta e incita a discórdia, a doença, a raiva e o ciúme.
ÂmbarDesenvolve habilidades de Bruxaria
AzulSaúde. Sonhos, verdade, inspiração, sabedoria. Poder oculto. Proteção. Compreensão e harmonia. Fidelidade. Paciência.
Azul claroDevoção. Percepção psíquica, intuição. Oportunidades, viagem segura, pesquisas. Compreensão, paciência, tranqüilidade. Afasta a depressão e propicia a paz.
Azul escuroRepresenta a Deusa. Elemental Água. Verdade, sonhos, meditação. Proteção. Mudanças e impulsos.
Azul Royal    Promove a alegria e a jovialidade. Use para atrair a energia de Júpiter ou para qualquer energia que você queira potencializar.
BrancoA Senhora e o Senhor em conjunto. Magia da Lua cheia. Totalidade, grandes realizações. Pureza, limpeza, verdade, meditação, paz, sinceridade. Justiça. Afastamento de dúvidas e medos, proteção. Pode ser usada para qualquer propósito.
CastanhoEquilíbrio. Força. Eliminação da indecisão, concentração, estudo e sucesso financeiro. Telepatia. Favorece o encontro de objetos perdidos.
CinzaMagia de fadas e espíritos que não são da natureza, comunicação com os reinos das fadas, viagem ao Outro Mundo. Busca da Visão. Velamento, cancelamento, hesitação, neutralidade.
DiversificadaDesenvolvimento interior por meio do relaxamento e introspecção
Dourado
O Deus. Energia solar. Poder, força psíquica, crescimento mental, busca de habilidades. Energia de cura. Intuição, adivinhação e oráculos. Sorte, prosperidade sucesso, realização.
Índigo
Meditação, comunicação com os espíritos. Trabalhos de carma, aprendizagem da Sabedoria Antiga. Neutralização da magia de outros, inércia, imobilização de pessoas, afasta calúnia, mentiras e competição indesejada.
LaranjaO Deus. Força, encorajamento, dominação, confiança, persuasão, atração de coisas para você. Cura e vitalidade. Aventura, adaptabilidade, estimulação, inícios, esclarecimento da mente. Sorte.
LavandaDesenvolvimento espiritual, crescimento psíquico, adivinhação, sensibilidade com o Outro Mundo. Bênçãos.
MarromElemental Terra. Resistência. Saúde e proteção animal. Constância, casas e lares, objetos físicos. Incertezas, hesitação.
Magenta
Use para agilizar os resultados de trabalhos mágicos. Na magia com velas , por exemplo, pode-se usar uma vela extra desta cor junto com a principal. Mudanças rápidas. Cura espiritual. Exorcismo.
PrataA Deusa. Magia lunar. Meditação, desenvolvimento psíquico, equilíbrio. Sucesso. Afasta a negatividade.
PretoO Universo, o útero e o túmulo, a noite. Verdade. Abertura do inconsciente. Meditação. Afasta a negatividade, dissipa a discórdia e a confusão e remove feitiços. Quebra de hábitos, rompimento de laços. Proteção. Contato com espíritos.
PúrpuraPoder, desenvolvimento espiritual, intuição, comunicação espiritual, sabedoria oculta. Ambição, progresso, negócios. Proteção. Cura.
RosaHonra, moralidade, serviço, comunhão, família. Nutrição. Amizade, carinho, afeto, amor emocional e sentimentos. Feminilidade.
VerdeO Senhor e a Senhora da Natureza. Elemental Terra. Magia herbácea, magia com espíritos da natureza, abençoar objetos e lugares naturais. Agricultura. Fertilidade, cura, rejuvenescimento, equilíbrio. Sorte, emprego, prosperidade. Coragem, mudanças de direção ou atitudes. Crescimento, expansão.
Verde escuroCor da ambição, da cobiça, da inveja e do ciúme; coloca as influências destas forças num trabalho mágico.
Verde esmeraldaAtrai amor emocional, propicia relações sociais. Fertilidade.
Vermelho
A Arte. Elemental Fogo. Vida, sangue, força, vontade, poder, energia, saúde, vigor. Entusiasmo e coragem. Paixão, desejo e amor carnal, sexualidade. Adiciona poder extra a qualquer trabalho mágico.
Violeta
Auto-aperfeiçoamento. Intuição. Sucesso em pesquisas, expansão do conhecimento.


segunda-feira, 21 de junho de 2010

Os Mistérios e a Magia dos Perfumes




A história do perfume começou quando o homem primitivo aprendeu a fazer o fogo e descobriu que certas plantas desprendiam fragrâncias agradáveis quando eram queimadas. Desde então passaram não apenas a oferecê-las aos deuses como forma de agradecimento, mas também usá-las em seu próprio corpo.
Uma lenda romana nos conta que um dia Vênus teria ferido o dedo e que uma gota de sangue caiu sobre uma rosa. Cupido beijou a rosa e selou a alquimia, transformando o sangue de Vênus em fragrância.
Engana-se quem pensa que o uso do perfume se dá apenas por vaidadade ou para desfarçar odores indesejáveis; seu uso vai muito além, ele pode servir para expressar nossa individualidade no mundo, honrando nosso self divino.
Na magia, seus usos vai deste a fabricação de perfumes mágicos para uso cotidiano quanto a manipulação de perfumes especiais para o uso em rituais, criando ambientes especiais para os trabalhos mágicos. As fragrâncias acionam, fortalecem e harmonizam energias de diversas espécies sendo idais para uso como oferendas ou para invocar as divindades.
Atualmente também já se utiliza as fragrâncias com propósitos terapêuticos.

Fórmula básica de um perfume
Segue-se uma fórmula básica para se fazer um perfume.
Se for possível, faça sempre seus perfumes na Lua Nova. A mulher não deve preparar perfumes no seu período menstrual, pois a sua energia, o modo como ela se sente, vai passar para o perfume e este é um período de transformação.
Para um perfume de boa qualidade, devem-se usar sempre utensílios de vidro, tanto o funil, como o copo medidor. Evite os metais. As reações deles com os óleos essenciais são terríveis.


Ingredientes:
800 ml de álcool de cereais
20 ml de polipropileno glicol
30 ml de fixador de âmbar
50 ml de essência (pode ser uma combinação de várias)
100 ml de água mineral sem gás
1 vidro escuro com capacidade para 2l
1 copinho medidor para a essência
1 funil
Frascos pequenos próprios para perfume

Modo de preparo:
Coloque no vidro escuro, na ordem a seguir, com muito cuidado e suavidade: o álcool de cereais, o polipropileno glicol e o fixador de âmbar e deixe repousar por duas horas.
No copo medidor, junte as essências escolhidas até atingir a quantidade de 50 ml e coloque no vidro misturando-as rapidamente. Agite bem e deixe descansar por nove dias num local escuro sem absolutamente qualquer incidência de luz solar
Ao fim destes dias, acrescente a água mineral e agite. Deixe-o repousar por mais um dia no escuro antes de usar.
Distribua o perfume em vidros pequenos para facilitar seu manuseio e os consagre da maneira que achar mais conveniente dependendo do fim almejado.

sábado, 19 de junho de 2010

Poções: Preparo e Uso



Preparação

A forma mais básica do preparo de uma poção é fazer um ou mais chás e misturá-los ao fim, sempre visualizando os intentos sendo realizados, mas você também pode preparar um único chá com várias ervas e energiza-lo através da luz da lua, do sol ou da energia pessoal. Lembre-se que estaremos lidando com uma forma de energia, a da Terra (ervas e condimentos), mais sutil e igualmente poderosa. Se possível, colha você mesmo as ervas a serem usadas para certificar que o procedimento aconteceu com respeito e sob as condições favoráveis específicas de cada planta.

Escolha a hora, dia, fase da Lua e outras condições que julgar conveniente mais propício para o efeito desejado. Esteja atento também para o clima, uma poção de amor, por exemplo, mão teria muito poder feita num dia de chuva.

O estado de espírito do bruxo é um dos fatores mais decisivos na hora de se preparar a poção. Deixe que os sentimento se alinhem com o objetivo da poção. Se for prepara uma água de guerra, senta realmente a ameaça e a necessidade de defesa.

Se desejar, acenda uma vela (para trazer a força do Fogo) e queime óleos essenciais, um incenso ou ervas (para a limpeza astral e meditação), sempre relevantes à finalidade de suas intenções. Atente também para que o ambiente tenha a mesma vibração da poção. Uma poção de amor poderá ser mais forte quando feita num jardim, assim como poções de vingança ficariam se feitas em ambientes mórbidos.

Tente usar seus utensílios mágicos para o preparo das poções como seu caldeirão ou e sua varinha para mexer o preparado. Você também pode usar uma chaleira e uma colher de pau consagradas exclusivamente para este fim. Nunca use colheres de alumínio (se elas acabam com a energia dos alimentos, quem dirá das poções).

Atente para como você vá mexer sua poção. Mexa-a sentido deosil para poções de construção, aquisição, crescimento, expansão, etc. Mexa-a em sentido widdenshins para poções de términos, destruição, banimentos, retração, etc.

As ervas frescas não precisam ser fervidas, pois liberam suas propriedades sem precisar de fervura. No caso de ervas secas, ferva-as para despertar o seu poder adormecido pelo tempo. Jamais ferva flores frescas, pois as fadas vegetais acompanham as suas flores até que estas sequem. Quando as flores estiverem secas, pode ferver, mas lembre-se de recitar uma pequena invocação às fadas: “Que as fadas despertem a magia desta(s) flor(es)!Que assim seja e assim se faça!”

Utilização

As poções podem ser utilizadas de várias maneiras, tanto internamente como externamente.
Alguns usos comuns consistem em unção de velas, partes do corpo ou instrumentos mágicos; aplicação de massagens; utilização em limpeza espiritual e/ou psíquica e benzeduras; selar documentos; transmitir desejos, incrementar feitiços e rituais; confeccionar perfumes; misturar à comida ou bebida; etc. 

Observações:
  • Cuidado com a adição de plantas venenosas nas fórmulas;
  • Lembre-se que você e outras pessoas e possam ser alérgicas à planta utilizada;
  • Esteja sempre certo quanto às propriedades medicinais das plantas: seus efeitos no organismo incluindo seus efeitos-colaterais, indicações de uso e contraindicações.
  • O prazo e modo de manipulação devem ser levados ao pé da letra;
  • Guarde suas poções sempre em vidros com rolhas, nunca em materiais plásticos;
  • Não abuse da quantidade nunca. As quantidades indicadas para uso serão sempre suficientes para qualquer que seja o fim.

Poções: Tipos e Composição


As poções, também chamadas de elixir ou filtro, são fórmulas mágicas carregadas energeticamente para provocar um efeito específico ao serem ingeridas ou usadas exteriormente. São largamente conhecidas as poções do amor; poções de clarividência, com ervas que aumentam a intuição; poções que fortalecem o poder pessoal através de ingredientes que trazem energia e bem estar; poções de proteção que criam blindagens energéticas em torno do indivíduo e; as poções de cura para o corpo e para a alma.

A manipulação de poções é uma das atribuições mais importantes na vida de um Bruxo. Na confecção de poções unimos os conhecimentos do poder pessoal, planetário e da herbologia para um único fim, proporcionando uma melhora nas capacidades mágicas e o fortalecimento da nossa conexão com a Terra.

Tipos de Poções
As poções podem ser classificadas em diversos tipos, dependendo de sua finalidade, preparo e uso:

Ingeríveis: preparadas geralmente em forma de bebidas, seu efeito se dá pela ingestão. Sob esta categoria se encontram os elixires, chás, sucos e os pós comestíveis.

Inaláveis: preparadas geralmente em forma de perfumes e para ser usado pela pessoa que a fez ou pela pessoa que se quer encantar ou em forma de vapores aromáticos, etc. Seu efeito está em sua inalação e sua fabricação se concentra no aroma. 

Banhos: poções preparadas para ser usadas sob a forma de banho

Aspersoras: são preparadas para serem aspergidas por todo um ambiente como as águas, filtros (uma poção que preparada sem ser fervida) e os pós.

Solúveis: são altamente concentradas e podem ser diluídas em perfumes, óleos, e produtos de limpeza. As comestíveis podem se adicionadas às bebidas e comidas.

Corporais: podem ser águas de cheiro, perfumes, óleos aromáticos, etc. São usadas no corpo para se obter uma determinada finalidade ou atrair energias ou entidades específicas.

Composição
As poções geralmente são constituídas de:

Base: é um agente neutro, ou seja, vai servir de base para a poção, unindo os outros elementos sem alterá-los. No caso de poções ingeríveis (licores, xaropes, etc), é comum a utilização de água, álcool ou bebidas alcoólicas.

É desejável a utilização de água da fonte (mineral) como base para nossos preparados, mas, pode-se substituí-la por água filtrada comum em sua falta. Para poções de uso externo, a agua da chuva pode ser usada, lembrando que, dependendo da estação e do dia em que for colhida, ela terá características diferentes.

Agente ativo: é o ingrediente principal da poção e deve ser cuidadosamente escolhido de acordo com as propriedades simpáticas do objetivo. Basicamente, é o agente ativo que dará à poção o poder que desejamos como se fosse a alma da poção. Uma poção pode conter mais de um agente ativo.

Irradiador: é o elemento que vai irradiar o poder para a poção, transferindo para ela nosso poder pessoal e/ou invocando outra fonte de poder.

Geralmente utiliza-se de encantamentos e cânticos, que são lidos ou cantados sobre perto da poção. Símbolos mágicos e sigilos também podem ser traçados sobre a poção com a varinha ou a athame ou desenhados em papel vegetal com tinta nanquim e colocados dentro do vidro da poção (ou sob ela).

Potencializador: é qualquer outro elemento que pode adicionar mais poder à poção. Geralmente cristais, quando não for o agente ativo, podem ser ótimos potencializadores assim como os símbolos mágicos.