terça-feira, 6 de novembro de 2012

Animae Remissionis Rituali

Ritual da Libertação de Almas

Este ritual tem como finalidade fazer com que o bruxo lide melhor com o dom específico da hipersensibilidade auxiliando na limpeza das energias sugadas ao longo do dia de ambientes, pessoas e espíritos, além de se libertar de obsessores desencarnados.

Por ele [o ritual] utilizar-se de uma energia mais refinada ao  trabalhar com uma entidade celestial, ele pode ser executado diariamente, preferencialmente antes de dormir, para que o bruxo adentre purificado no Reino de Morfeus.


Ferramentas necessárias:
Uma imagem de Nossa Senhora das Dores devidamente consagrada.
Um copo de água corrente

Adicionalmente o bruxo poderá utilizar-se de pedras, incensos e velas com as Virtudes adequadas ao trabalho de purificação de acordo com a intensidade da limpeza a ser realizada, no entanto, para os rituais diários apenas a imagem e a água serão suficientes.


Ritual:
Centre-se e prepare-se de acordo, fique diante da imagem e posicione as mãos sobre o copo com a água. Feche os olhos e faça as invocações e interpelações necessárias:


"Mãe do Mundo, Senhora da Compaixão
Olhe por teus filhos neste momento
Liberte-me de tudo aquilo que me aprisiona
Livrai-me de todos aqueles que me flagelam"

Neste momento você deverá sentir a presença Dela como um a energia luminosa, então veja com o Espírito Ela te cobrindo com um manto azul e diga:

"Estenda Teu manto azul sobre todos aqueles que precisarem neste momento"

Nesta parte é o momento da esconjuração dos mortos:

"Mãe do Mundo, Senhora da Compaixão
Livai-me destes espíritos que me obsediam
Que as correntes que os prendem a mim sejam quebradas
Que os elos que os predem a mim sejam rompidos
Liberte todas estas alma do sofrimento oh Minha Senhora"

Repita a chave composta pelo terceiro e quarto verso até perceber que o trabalho esteja feito. Termine agradecendo.

"Bendita sejas Tú que liberta os homens do sofrimento oh Amada Senhora
(faça o sinal da cruz diante do centro cardíaco)
Pelos poderes dos quatro Guardiões
Amém"

O ritual está terminado, deixe a água até a próxima noite quando então deverá ser jogada em água corrente. Se utilizados, incensos deverão ser deixados queimar até o final como manda a Tradição, velas poderão se apagadas mas não utilizadas para outro fim e pedras poderão repousar junto da imagem e da agua sendo limpas periodicamente ou ao serem utilizadas em outros rituais.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A Profetiza do Dragão

Crônicas das Terras Mortas 

E naquele tempo eis que chega à vila, vindo dos desertos do oriente, na sombra do Verão, uma mulher estranha, com vestes escarlates de algodão vulgar, braços e pescoço e tornozelos nus o que indicava que não devia passar de uma pária. Seus cabelos eram da cor de sangue, e seus olhos de um negro profundo e inescrutável. Seus lábios carnudos tinham cor de cereja e brilhava como tal. Era intrigante aquela figura indigente com ares de nobreza. E ela chegou na praça central, com olhares curiosos a acompanhar cada passo seu. Algo nela atraia a todos. E chegando ao templo do Deus Morto ela disse: 

“Podem sentir os ventos soprando cada vez mais quente? O Dragão está despertando e este é a sua respiração. Ele dorme debaixo da Montanha, mas não dormirá por mais tempo. Sua irá abaterá sobre vosso povo, pois eis que cometerão abominações diante Daqueles Que Foram. Não irei falar da cobiça de riqueza acima das necessidades de vossos irmãos. Tampouco irei discorrer sobre a fome de sentimentos verdadeiros de vossas árias almas ou da sede de conhecimento de vossas estéreis mentes. Quero abrir-lhes os olhos para as ânsias de vossos Espíritos. Para a fagulha de divindade que habita vosso ser. Para o Destino que deve ser cumprido. Mas vós tens sido indolentes e menosprezam os dons do Espírito...”

Antes que pudesse continuar, um homem da nobreza trajando uma toga azul da mais pura seda e jóias e adornos e glifos apresentou-se diante da mulher a censurou: 

“Cale-se mulher, pois não estás em seu juízo perfeito, tudo o que dizes beira a loucura, e deve ser mais uma fanática adoradora dos Deuses Mortos ou até mesmo do Deus Assassinado - não há diferença, Todos abandonaram esta terra de alguma forma. Em nosso meio não há mais espaço para superstições ou fanatismo desde quando. É sabido por todos, principalmente pelos Especialistas das Rochas, que não há Dragão dormente nenhum sob a montanha, e que o fogo que ela expele é somente mais um evento natural e...” 

Antes que pudesse prosseguir foi a vez da mulher retomar seu discurso:

“Pobre daqueles que possuem olhos, enxergam, mas não vêem. Pobre daqueles que possuem ouvidos e escutam, mas não ouvem. Pobre daqueles que tem língua e falam, mas nada dizem. Pois é disso que estou tentando alerta-lhes. Vossos espíritos estão imersos em trevas. Quem de vocês pode ouvir o canto dos anjos sobre nossas cabeças com seus hinos de louvor à vida? Ou os lamúrios dos demônios que se esgueiram as pedras dos templos profanados? Ou o choro daqueles que não nasceram. Quem escuta a voz do vento? Quem vê aqueles que se movem por entre às arvores e por entre as correntezas dos rios? Os reinos além do Mar e do Céu e da Terra. Irmãos como podem viver em tamanha ignorância. Pois vos digo, eu vejo o dragão acordando sobre a montanha. E vejo sua ira vertendo-se em fogo sobre os ímpios.”

Neste momento o homem nobre insistiu em seus insultos:

“És louca. Insisto para que não ouçam o que esta desvairada estás a dizer-vos”

E a mulher rebate com faíscas em seu olhar: 

“Contam os Sábios, que há muitas e muitas eras atrás, antes da Era do Deus Assassinado, antes da Era do Salvador, e muito mais atrás havia uma mulher a quem chamavam de louca, pois eis que ela profetizou a derrocada de seu reino, mas, ninguém lhe deu ouvidos. A loucura e a sabedoria partilham do mesmo leito. E as pessoas só sabem diferenciá-las quando já é tarde demais. Que vossos espíritos possam acordar junto ao despertar do Dragão.”

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Diabo: O Eterno Incompreendido

They Say Devil Doesn't Rest Until the Truth Is Told.
The Cross, Scorpions

Loki, detalhe de um manuscrito
 islandês do século XVIII

Seja como um arquétipo, como Entidade ou como uma Força, Ele existe e tanto a sua negação quanto a visão distorcida de sua natureza apenas indica a ignorância que se tem quanto o assunto.
O Diabo não é o Mal absoluto mas o Mal necessário.
Ele é o Adversário, o Tentador, é o inimigo que nos traz o crescimento espiritual através das adversidades. Ele nos apresenta as mais duras lições.
A vida é aprendizado, é desenvolvimento e nada no universo é estático ou definitivo. Nossa natureza fundamental é a mudança, o aperfeiçoamento, a superação de nós mesmos. Mas quando a indolência bate a nossa porta, quando não caminhamos pela estrada da sabedoria a fim de aprender o que devemos aprender então não há outra alternativa para que curar nossa cegueira. O sofrimento é um mestre amargo, mas eficaz.
A Ele o Trono da Terra pertence, Guardião da Terra e de suas riquezas, Ele move seus lacaios a agir em nossas vidas nos empurrando a nosso limite e a nenhum anjo é permitido nos ajudar enquanto o Diabo não disser que Seu trabalho está feito e que estamos pronto para ajuda.
Ele é aquela força que expõe toda a nossa sujeira, nossa corrupção, nossos vícios. Ele utiliza-se das pessoas, assim como o faz os deuses, como instrumentos para sua obra. 
Ele é o Tentador de Cristo. Loki, o Trapaceiro. Ereshkigal, a Grande Iniciadora. Seth, o Deus Vermelho. Ele é Maya e Arimã. 
A função do Diabo não é corromper nossas almas, mas salva-la através de ordálias penosas.
Pois no final da caminhada, o que não nos mata, fortalece-nos.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Flagelo do Medo


"O medo é o caminho para o Lado Negro. 
O medo leva a raiva, a raiva leva ao ódio, o ódio leva ao sofrimento." 
Mestre Yoda, Stars Wars


O medo é o filho da dúvida e o pai do sofrimento. Quanto mais reflito sobre a Vida mais percebo como a maioria dos nossos erros são cometido em um estado influenciado pelo medo.
O medo da perda talvez seja o principal, embora saibamos que a Vida segue seu fluxo em ciclos de nascimento, crescimento e morte, não preparamos nossa consciência para a última fase do ciclo. Tudo o que achamos possuir não é nosso de verdade. As pessoas principalmente não nos pertecem, nem nossos pais, nem nossos filhos, nem nossos amantes. Todos eles são pássaros frágeis, cujo canto por mais belo que seja, um dia se silenciará pela morte ou pela distância.
O medo da perda geralmente provém do medo da solidão. É fato que o homem, enquanto ser social, necessita da vida em comunidade. Mas o homem, enquanto ser espiritual, consegue abrir sua consciencia a ponto de perceber que não estamos a sós, nunca. O céu azul - lar dos anjos - sobre nossas cabeças, a terra abençoada - os ossos e o sangue de nossos antepassados - sob nossos pés, todos eles nos conectam uns aos outros, estamos ligados ao Todo. O medo da solidão é a falta deste sentimento de ligação.
Não há outro remédio para o medo que não seja a fé. Fé Não é "acreditar" como comumente se pensa, pois o crer traz consigo uma descrença inerente. Fé é saber intimamente, é a sabedoria que vem do nosso Espírito, Genius, Daimon. É a certeza que emerge do âmago de nosso ser e que irradia Luz para nossa consciencia física flagelada pelas dúvidas, pelas correntes de pensamentos inferiores de medo. 
O remédio para o medo é aceitar que não podemos controlar tudo aquilo que livre deve ser, que a Vida possui seus ciclos, que tudo o que chega, um dia, deve partir.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A Dança da Fortuna e do Destino

"Vá e acorde sua sorte."
Provérbio persa

lâmina do tarot 
Roda da Fortuna 
(Deck Rider-Waite) 
Algumas pessoas tem sorte na vida e outras não. Não merece o rótulo de tolo ou fraco aquele que acredita no sorriso da Fortuna mas, merece os mesmos rótulos aquele que endossam que o Seu sorriso seja aleatório.
Ao nosso redor somos rodeados por diversas ligações energéticas - o que alguns bruxos chamam de A Teia - e estas ligações são estabelecida, regidas, alteradas, fortalecidas ou enfraquecidas de acordo com nosso Destino. E aqui cabe outra chamada à lucidez, que não seja chamado de conformado o homem que crê no Destino, mas que seja chamado de sábio aquele que creia que o mesmo seja forjado por nossas próprias mãos e que seja chamado de indolente aquele que creia que Ele seja determinado, ou melhor, sentenciado, por alguma força além de nossos próprios atos, pensamentos e omissões.
Nosso Destino é construído com base nestas linhas que formam a Grande Teia e, na confecção desta, participa espíritos e forças atraídos a nós pela lei da semelhança. Quando estas forças e espíritos atuam a nosso favor, chamamos a isso de sorte; quando elas atuam contra nós, chamamos de azar.
Um dos maiores desafios do peregrino é abrir seus olhos para ver que tudo vibra numa sinfonia perfeita de ação e reação e que a Fortuna concede Seus presentes de acordo com o merecimento. Que o Destino não é sentenciado senão pelas palavras de nossos próprios lábios. Se queres que a Fortuna sorria para ti, então deves cativá-la para tanto. Seja a forja de teu próprio Destino.